A mulher no Legislativo Barreirense – Renilde Dias, primeira Vereadora

renilde

Constata-se, na composição da Câmara Municipal de Barreiras em 1948, pela primeira vez, a presença de uma mulher, a professora Renilde Dias, eleita suplente,em 1947, mas logo convocada a assumir o mandato, e cuja atuação podemos rastrear através das atas das sessões da Câmara. Frequentemente ela substitui o Primeiro ou o Segundo Secretário, em suas ausências, bem como o Presidente da Comissão de Finanças e se manifesta acerca dos temas em debate.

Seu irmão Juarez de Souza, viria a ser Deputado na década seguinte, prestando relevantes serviços à Bahia e à nossa região, pois atuou principalmente no sentido de que a Assembleia Legislativa baiana alterasse alguns artigos na Constiuição Estadual, que proibiam a criação de novos municípios, visto que inúmeros distritos grandes e prósperos necessitavam de se emancipar, como São Desidério, Riachão das Neves e muitos outros. Com a mudança na Constituição, todos esses distritos se tornaram municípios, havendo tido, para isso, o mais completo apoio de Juarez.

Renilde Dias faleceu em Brasília há poucos dias e estamos trabalhando na sua biografia, que publicaremos em breve, pois foi uma notável barreirense.

Renilde Dias e a Historiadora Ignez PittaRenilde Dias e a historiadora Ignez Pitta de Almeida

Juarez de Souza - Irmão de renilde Dias
Juarez de Souza – Irmão de Renilde Dias

Biografia de Dilson Ribeiro

Autor de vários livros que perpassam desde temas jurídicos, pois participou ativamente da luta pela adoção do divórcio no Brasil, Dilson Ribeiro tem a ilustrar a sua biografia uma vasta experiência como jornalista, profissão a que se dedicou a partir dos dezenove anos de idade. Suas primeiras reportagens foram publicadas no Diário da Bahia, jornal que acolheu figuras como o conselheiro Ruy Barbosa, o deputado Vieira de Mello, o professor Adroaldo Ribeiro da Costa e o jornalista Otacílio Lopes, todos eles expoentes de um período marcante da imprensa baiana.

Em 1953, Dilson Ribeiro deixa a velha Salvador e vai residir no Rio de Janeiro, onde ingressa na faculdade de Direito da atual UERJ e passa a militar no Diário Carioca. Posteriormente torna-se cronista do jornal Última Hora, dirigido por Samuel Wainer, que o credencia junto à Presidência da República, durante o governo do Sr. Juscelino Kubitscheck, com a incumbência de registrar para a história a grande obra administrativa que viria a ser realizada. Esse trabalho seria, em 1980 e 2002, condensado nos livros No Reino dos Tecnocratas e O Repórter e o Estadista JK, em que a transferência da capital da República para o Planalto Central é contada com engenho e arte. Assinale-se que No Reino dos Tecnocratas, como o próprio título sugere, traz à pauta aspectos do regime discricionário implantado no país em 1964.

A década de 60 tem particular importância na vida do jornalista e escritor Dilson Ribeiro. Naquele período ele assume a direção de um dos primeiros diários editados em Brasília, Crítica, a que impôs uma orientação nitidamente nacionalista. Entrando em conflito com o governo militar, teve de retornar ao Rio de Janeiro e ingressar na Tribuna da Imprensa, assumindo, em 1968, a sua direção, em uma fase conturbada daquele jornal, que também se opunha aos governantes instalados no Palácio do Planalto.

Em 1969 volta a residir em Brasília e a dirigir a revista O Espelho, fundando, com o apoio dos jornalistas Roberto Piza e Hugo Studart, a revista Sou & Estou, que, apesar de ter curta existência, é de indiscutível importância na história da imprensa brasiliense, por sua qualidade editorial.

Se recuarmos mais no tempo, vamos encontrar Dilson Ribeiro, ainda muito jovem, em 1961, como chefe de redação do primeiro jornal editado no Planalto, O DC – Brasília, e, posteriormente, como editor-chefe da Folha de Brasília.

Na imprensa, um dos temas que sempre foi objeto das preocupações de Dilson Ribeiro refere-se à defesa dos recursos naturais, o que o levou a escrever o livro Memórias de um Pássaro (1972), onde fora inserida uma crônica, Brasília e a Natureza, que obteve o primeiro lugar em concurso realizado pela revista Casa & Jardim, em 1968. Foi, sem dúvida, o reconhecimento à beleza de um estilo que foge ao convencionalismo de textos que apenas contam uma historinha, sem maior pretensão. Dilson Ribeiro faz crônicas com um colorido diferente, “un estilo perfecto”, no dizer da revista argentina Acción. Da Academia de Letras de Brasília, a que pertence, recebeu o diploma de Honra ao Mérito, por relevantes serviços prestados à cultura, e da TV Brasília o troféu de O cronista da capital da República. Dilson Ribeiro é bacharel em Direito e membro da União Brasileira de Escritores, da International Federation of Journalists, com sede em Bruxelas, Bélgica, e da Academia Barreirense de Letras.

Além dos livros citados, Dilson Ribeiro é autor de Divórcio para o Brasil (1964), Versos do Outono (1983), Cidade & Solidão ( 1995), O Rio de Ondas e o Fim das Águas (2008), encontrando-se no prelo O Amor, o Gênio e a Poesia.

Dilson Ribeiro de Souza é filho de Pedro Mariano de Souza e Zilda do Prado Ribeiro de Souza. Sua cidade natal é Barreiras, no Estado da Bahia.

Fonte: http://www.dilsonribeiro.com.br/site/sobre/

O Povoado Mocambo, a 12km de Barreiras, não foi quilombo

Desde a década de 1980, que ao povoado Mocambo, situado a 12 km de Barreiras BA, vem sendo atribuída a condição de quilombo – por pessoas que lá não residem e nem possuem pequenas propriedades rurais no local.

Arguem uma prova semântica, a única que possuem: mocambo quer dizer quilombo e existe ali uma família negra de sobrenome Catula, palavra que tem origem africana. Ora, mocambo, em primeiro lugar, designa choça, palhoça, casa ou habitação precária, sendo também palhoça de escravos fugidos, em quilombos. Ignora-se a origem da palavra, muito utilizada no Nordeste, ainda no sentido de casas ruins, nas periferias de capitais; Cátulo, no dicionário Aurélio, é palavra derivada do Latim, querendo dizer cão ou cachorro, quando utilizado em sentido poético e no Google, a palavra Catula tem a significação de pessoa sagaz, esperta, expansiva… sendo o vocábulo derivado do Latim.

Os moradores do Mocambo, como a família Vieira, conhecem suas origens até os bisavós, que vieram da Chapada Diamantina (por eles dita Lavras Diamantinas), junto com duas famílias negras, a do Sr. Pedro Camilo e a de Zé Pretinho, ambas ligadas, por parentesco próximo à família Vieira, e compraram ali terras da Fazenda Tapera, historicamente conhecida e citada como tendo dado origem ao território de Barreiras, adquirida por Domingos Afonso Serra, no século XVII, ao Morgado da Casa Ponte (residente em Morro do Chapéu BA), Antônio Guedes de Brito. Outra família negra, de sobrenome Catula, em fase mais recente, comprou suas terras aos já estabelecidos proprietários da Faz. Tapera, no Mocambo.

Provas antropológicas, não há: todas as famílias – que conhecem a origem de seus ancestrais – repudiam a condição de filhos de escravos fugidos, sentindo-se profundamente ofendidas com tal afirmação – inclusive e principalmente as famílias negras!

Provas históricas igualmente não as há, sendo impossível originar-se um quilombo na própria sede da Fazenda Tapera!

Provas geográficas igualmente inexistem, pois os quilombos eram feitos em locais distantes e de difícil acesso.

Provas documentais existem, sim, de que aquelas famílias compraram suas terras, legalmente, em cartório, de que possuem documentos válidos e antigos, além de registros no INCRA.

Os negros que fugiam aos maus tratos nas fazendas, reunindo-se em quilombos, jamais possuíram títulos de propriedade de suas terras, sendo, pois, necessário que se desapropriem as terras ocupadas, na atualidade, pelos remanescentes desses quilombolas, dando-lhes a segurança de um lote do Incra e de subsídios do governo federal! Não os proprietários das terras da Faz. Tapera, na localidade Mocambo, que já trabalham em terras próprias, até com tratores, pertencentes à sua Associação, obtidos com apoio do governo federal!

Não procede, assim, a tentativa de desapropriação para o INCRA das terras do Mocambo, na Fazenda Tapera, visto ali não haver sido quilombo.

Aniversário de 40 anos da chegada do 4° BEC a Barreiras


Lançamento do livro sobre os 40 anos do 4º BEC em Barreiras 

Até 1972 Barreiras era uma ilha: para chegar aqui, de Salvador, por exemplo, só era possível vindo de barco ou de avião, por não existirem estradas rodoviárias. Era um obstáculo que impedia o desenvolvimento do nosso potencial agrícola, nas imensas extensões de terras de cerrado.

Por isso, a determinação presidencial de 1972, de transferir para aqui o 4° Batalhão de Engenharia de Construção, 4° BEC, a fim de construir as estradas que fariam a ligação de Brasília com as capitais do Nordeste, passando por Barreiras, foi o fator decisivo para o grande desenvolvimento que nossa região hoje desfruta, cultivando suas amplas terras férteis, regadas por chuvas abundantes e uma grande bacia composta por dezenas de rios perenes.

Sediado até então em Crateús, Ceará, onde realizou importantes obras, o 4° BEC mudou a sua sede para Barreiras, durante o ano de 1972. Foi uma transferência demorada e que demandou muito trabalho, devido à precariedade das estradas e meios de transporte daquela época: foi realizada em várias etapas e através de diferentes itinerários, incluindo a viagem por rodovia de Crateús CE, a Juazeiro, na Bahia, de onde prosseguiam nos barcos que então navegavam pelo rio São Francisco e seu afluente, rio Grande, até Barreiras. Durante o decorrer do ano de 1972 realizou-se a mudança, pois teriam que vir para aqui um contingente de 5.000 pessoas, entre militares e suas famílias; funcionários com seus familiares, além de todos os equipamentos e veículos de trabalho, como tratores. Continuar lendo

Construção do Contorno Viário de Barreiras

Construção do Contorno Rodoviário (3)

A BR 242, estrada que liga Barreiras a Salvador, foi traçada na década de 1960 na gestão do Governador Luís Viana Filho, que tinha grande ligação com a cidade de Barreiras. Por isso, conforme ele próprio explicou aos políticos barreirenses, determinou que a estrada atravessasse a cidade no maior trecho possível, para ser beneficiada através da prestação de serviços em seus postos de combustíveis, lanchonetes, restaurantes etc.

Quase cinquenta anos depois, esse ato de amor a Barreiras, que se converteu em grande transtorno principalmente devido ao elevado número de caminhões e carretas que percorrem o centro urbano, está prestes a terminar: o contorno rodoviário que desviará o trânsito na altura da entrada para Angical, levando-o a contornar a cidade e depois reentrar, passando pela estrada para o Piauí, e retornando à BR 242 somente na altura da estação rodoviária, na saída em direção a Brasília está prestes a ser concluído, com a construção da ponte sobre o rio Grande. Continuar lendo

Bóson de Higgs, a partícula de Deus – O que é isso e em que pode nos interessar?

Recentemente foi anunciada à humanidade a confirmação da existência de uma partícula subatômica, identificada com quase absoluta certeza como o bóson de Higgs, previsto em pesquisas desde 1964 pelo físico escocês, Peter Higgs.

A unidade básica do campo de Higgs denomina-se bóson e significa “aquele que transporta a energia”, havendo sido sua existência comprovada há poucos dias, pelo CERN, centro de estudos avançados da Física teórica, situado na Europa, na área da divisa entre a França e Suiça. O CERN possui um grande cilindro de 27 km de extensão, enterrado a 100m da superfície, chamado acelerador de partículas, onde as condições primordiais são reproduzidas, com o bombardeio da partículas subatômicas e onde pôde ser comprovada a veracidade da teoria do bóson de Higgs.

Mas, afinal de contas, o que é isso e em que pode me interessar?! Continuar lendo

Catar umburana no mato

Você já teve espinhela caída, ventusidade, ficou afremado, estuporado ou com outra doença típica barreirense? Umburana de cheiro, bem macerada, dá um chá que cura estes e outros males, é um verdadeiro remédio contra estupor. E agora está no tempo de correr para o mato, pois os pés de umburana estão abrindo as vagens e soltando as sementes, que têm como uma asa bem leve e transparente, que voa, ao sabor do vento.

Se não for logo, não acha mais, por isso no último domingo fui a uma matinha, lá pros lados do rio de Ondas, que é o verdadeiro paraíso das umburanas e dos pés de chichá. Estes também estão com as lindas frutas bem vermelhas abertas, já soltando os caroços.

Quando se fala em madeira de lei, umburana de cheiro é a peroba rosa, que dá lindos móveis. Mas o assunto, aqui, é sua saúde: colhidas as sementes de umburana, bem cheirosas, retire a asinha branca e bote para secar, basta ficar numa vasilha aberta, que é para não mofar. Depois de bem seca, pode guardar numa lata ou vidro, bem fechado. Para fazer uma xícara de chá, pegue três sementes, macere num almofariz ou de qualquer forma e coloque no fogo, para ferver. Adoce com mel ou açúcar e está pronto seu remédio, que cura má digestão, indigestão e outros males. Você pode colocar também na pinga os caroços e então já é um ótimo remédio para a garganta, gripe, defluxo…

O meu caro amigo, Dr. Luíz Pamplona, já decretou que ninguém fica estuporado, por isso não pode existir remédio contra estupor. Mas, quem sabe? Por via das dúvidas, é melhor se prevenir, que seguro morreu de velho. Então corra para o mato e faça seu estoque de semente de umburana. Inclusive uma velhinha da roça me disse que os galos que criava costumavam ficar estuporados e ela dava a eles, no bico, o remédio. Creia em Deus, que é santo velho…

Choram as águas

Minha amiga e vizinha Ivone gosta, como várias outras pessoas, de lavar roupas no rio Grande, lá na margem da rua do Humaitá. Assustei-me quando a encontrei com a perna coberta de uma massa amarela.

- Que é isto, mulher?

- É enxofre, para combater micose. Agora a água do rio está dando micose na gente. Dizem que enxofre é bom.

Antes, há alguns anos, o Sr. Zé Preto, tirador de areia do rio, já me havia dito que ficava com o corpo coçando, das águas do rio.

Meu Deus! Tantos são os esgotos in natura que profanam a pureza das nossas águas, que agora elas causam coceiras, micoses… Como se pode ultrajar assim a natureza? Águas limpas do nosso Rio Grande, emporcalhadas pela irresponsabilidade humana, que nelas despejam seus dejetos, sem refletir que todos dependemos da água para viver.

Crime Ambiental na Serra do Mimo

Todo início de ano, na estação chuvosa, tragédias se repetem nas cidades construídas em locais de  serras, como Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis e tantas outras. Com a água, o barro das serras amolece e desaba, levando casas, matando gente, arrasando cidades.

Não conhecemos ainda em Barreiras essas tragédias, mas parece que estamos pedindo para conhecer. Pedindo, não! Colocando os meios para que a Serra do Mimo fique sem sustentação, comece a derreter com as chuvas e se espalhe sobre as casas, levando pedras, paus, matando gente. Continuar lendo

Personagens da emancipação de Barreiras – 26 de Maio

Hoje, exatos cento e vinte e um anos depois da cerimônia que instituiu o município de Barreiras, com a posse do Intendente (Prefeito), do Conselho Municipal (Câmara de Vereadores), imaginemos  o orgulho e alegria de todos, então, aliados a uma expectativa imensa: como vai ser, qual será o futuro de nossa terra, agora que ficamos independentes e os destinos de Barreiras serão decididos aqui mesmo?!

Imaginemos a festa da emancipação, os discursos, as músicas… Será que houve uma cerimônia religiosa? Não foi escrito em nenhum lugar, mas a tradição oral conta que, por não existir ainda uma igreja, foi improvisada uma grande barraca, coberta por couros de boi costurados, formando como se fosse uma lona. É provável que o Padre Neto, o vigário de Angical – município de que Barreiras estava se desligando – tenha vindo celebrar uma missa solene. A imagem de São João Batista hoje existente no altar-mor da Catedral foi encomendada a um escultor de Barra, para solenizar a data da emancipação, esse é outro dado que reza a tradição oral barreirense. Então podemos imaginar essa bela imagem do Padroeiro abrigada sob o teto de couro de boi, abençoando a cerimônia. Continuar lendo