A agroindústria da cana-de-açúcar

A principal riqueza do Brasil-colônia foi a produção de açúcar e derivados da cana, e em Barreiras não foi diferente, principalmente por causa da possibilidade de irrigação das lavouras de cana, o que aumentava sua produção. Outro fator essencial foi a navegação pelo rio Grande, por onde se exportavam os produtos.
Na foto acima vemos uma moenda movida pelos bois, que iam girando e assim movimentavam os cilindros que esmagavam a cana, retirando-lhe a seiva rica em açúcar, que é a garapa, até hoje popularmente vendida nas ruas, porém sendo o processo todo movido por eletricidade.
Veja no jornal Correio de Barreiras, de 1908, lista dos preços das mercadorias (reprodução abaixo), em que estão em primeiro lugar a aguardente (cachaça) e o ‘açúcar sujo’, isto é, sem refinar.
Por que a produção da borracha de mangaba deu origem a Barreiras?
Simplesmente porque se destinava ao comércio globalizado, isto é, de exportação para outros países, o que agrega valor ao produto.
É isso aí: Barreiras nasceu como filha da globalização! O que gerou muito dinheiro circulando aqui, desde o início desse comércio, a partir de 1870, atraindo um grande número de pessoas de diversas partes do Brasil, algumas até do exterior, como as famílias Pignata e Mármori, que vieram da Itália. Um ciclo imigratório de grande duração, que foi trazendo sempre mais pessoas para o povoado de Barreiras: umas para, diretamente produzirem a borracha, outras, que possuíam barcos e capital a fim de comprar o tão valorizado produto e conduzi-lo até Juazeiro, onde o embarcavam no trem de ferro para Salvador e daí para o mundo…
Nesse caso estão os pioneiros de Barreiras, a Sra. Feliciana de Carvalho – tetravó da Sra. Tsylla Balbino – que veio para aqui já viúva, com seus filhos e filhas. Estas se casaram com outros pioneiros, como Ana de Carvalho, que se casou com o Coronel João Daniel Lopes – avô da Profa. Cleonice Lopes, já falecida, e bisavô de Marcos Lopes, nosso contemporâneo, agrônomo que trabalha na EBDA. Outra filha se casou na família Mármori e os filhos Antônio Balbino, Emígdio e Manuel, junto com a mãe, fundaram casas comerciais para comprar a borracha e outros produtos da terra, levando-os para Juazeiro em sua barca, que voltava carregada dos produtos industrializados para serem vendidos aqui e também exportados para Goiás.
Para avaliar o alto preço da borracha, vamos olhar de novo para a tabela de 1908 (acima): naquela época havia uma medida muito usada, chamada arroba, que correspondia a 16 quilos e os produtos são mostrados nesse padrão. A moeda era o mil réis, que, comparando com o preço do feijão hoje, é mais valorizada que o real.
Vejamos: 16 kg. de borracha de mangaba – a que era abundante, pois a de maniçoba, muito mais valiosa, havia em pouca quantidade – valiam 27 mil réis, enquanto a mesma quantidade de carne seca valia 10 mil réis, de açúcar sem refinar custava 3 mil e quinhentos réis e de café, 10 mil réis. Um quilo de carne verde (fresca) valia quinhentos réis, enquanto um quilo de borracha valia três vezes mais!
E foi chegando cada vez mais gente… veio de Barra o Dr. Augusto César Torres Barrense, primeiro médico de Barreiras…o pequeno povoado de São João – nome que recebeu no seu início – depois chamado São João das Barreiras, pelos goianos – foi crescendo e com apenas 21 anos pôde ser elevado a distrito de Angical, em 20 de janeiro de 1891, tornando-se logo depois município independente, através da lei assinada pelo Governador da Bahia José Gonçalves da Silva, em 06 de abril de 1891.
Quarenta e cinco dias depois, a emancipação se concretizou, no dia 26 de maio de 1891, com a instalação do município de Barreiras, a posse do seu primeiro Prefeito, então chamado Intendente, Coronel Martiniano Ferreira Caparrosa e a instalação da Câmara de Vereadores, então chamada Conselho Municipal, tendo como Presidente nomeado o Coronel José Brás. Um ano depois houve eleição para a Câmara – Conselho – e o Presidente eleito foi o Coronel Apolinário José de Souza, que dois anos depois substituiu, como Prefeito, o Coronel Caparrosa, falecido antes de terminar o seu mandato.
A irrigação na agricultura barreirense

Desde o início da colonização de Barreiras foram construídas represas nos riachos, a fim de se fazerem canais para irrigar as lavouras durante os meses secos. Já os irmãos Almeida, que colonizaram Angical em meados de 1700, construíram a represa de Ouriçanga, que até hoje existe.
Sem engenheiros, mas conduzidas pela prática e o senso comum, essas represas nos riachos, feitas por nossos agricultores até hoje ainda são usadas na zona rural da região de Barreiras.
Foto: Barragem no ribeirão do Arapuá, mais conhecido em Barreiras apenas como Ribeirão.
Leia mais sobre a História de Barreiras:
- A Pré-história
- Os Índios que habitavam a região de Barreiras
- Barreiras no tempo do Brasil Português
- Barreiras no tempo do Império
- Anexação à Bahia e posterior luta para ser um Estado autônomo
- Os Ciclos Econômicos
- A Conquista, Colonização e instituição governamental do Oeste Baiano
- História da Energia Elétrica em Barreiras
- História do Aeroporto de Barreiras
- História da Agricultura
- História da Agricultura 2 – A Irrigação

boa tarde .Estou adorando estudar a história de barreiras,é incrivel ver como foi como era,quanto mudanças.
obrigada!!!!!!!!!!!!!!!!
barreiras é uma cidade boa…
Parabéns Prof. Ignez. Sou professor de Geografia, e sinto uma grande lacuna sobre pesquisa e evolução de nossas cidades.
Sílvia e Letícia, Agradeço os comentários.
Ignez
Dante,
Em que cidade você é professor de Geografia? Se for no Oeste baiano, tenho algum material que poderá lhe servir. Faça contato.
Ignez
Adorei a historia de barreiras vcs estao de parabens !
CONTINUI ASSIM!
ADOREIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
a materia falando sobre barreiras
estao de parabens nota 1000000000
obrigadoooooooooooo!
Adorei as historias citadas sobre Barreiras.Muitas informações legais para ser trabalhada em sala de aula.
Ad0ro aah hiistt0ria de barreiras *-*