abr 06 2008

Os Ciclos Econômicos

Published by Ignez Pitta

A evolução de Barreiras

Talvez a maior riqueza de Barreiras seja a sua localização geográfica à margem do último porto no rio Grande. Ao princípio do século XIX só havia no local onde é Barreiras exclusivamente o porto, junto ao qual morava um só habitante, Plácido Barbosa, encarregado de receber as barcas.

Os habitantes do norte de Goiás, atual Tocantins, não tinham estrada para sua capital e utilizavam este porto para receber as mercadorias industrializadas de que necessitavam, como querozene, ferramentas, tecidos, remédios etc, ao mesmo tempo em que exportavam ouro e outros produtos. Os habitantes de Barreiras ficavam produzindo nas fazendas, exportavam produtos agropecuários e importavam mercadorias industrializadas.

A partir de 1870 surgiu o mercado da borracha, necessária para a fabricação de pneus na indústria automobilística que então nascia. Rica em mangabeiras, árvore que produz o látex, que, fervido, coagula-se na borracha, iniciou-se para Barreiras seu primeiro ciclo imigratório, com a vinda de milhares de pessoas, que fundaram o povoado de São João em volta do porto. Exportada para o exterior, a borracha era muito valiosa e atraiu para Barreiras sempre mais pessoas, o que resultou no crescimento rápido e emancipação como município independente. Com a circulação de dinheiro, pessoas de todas as profissões emigraram para Barreiras.

Ciclos econômicos

Barreiras oferece serviços

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Primeira turma de concluintes do ginásio (atual 5ª à 8ª série), no Colégio Padre Vieira (clique na imagem para uma versão aumentada)

Outra vocação de Barreiras foi a de prestar serviços à sua própria região e aos Estados vizinhos, pois desde cedo atraiu médicos, dentistas, farmacêuticos, professores, artistas, como músicos, escritores, poetas.

Teatro São José

Outro tipo de serviço foram as gráficas e a edição de jornais desde 1908, assim como as escolas, que atraíam estudantes da região e de outros Estados. A partir da década de 1980 iniciou-se a oferta de ensino universitário, contando hoje com várias faculdades particulares; a UNEB, Universidade do Estado da Bahia e um campus da UFBA, Universidade Federal da Bahia. Estamos assim vivendo o mais novo ciclo em Barreiras: o da oferta de ensino universitário, que vem atraindo estudantes de vários outros lugares do Brasil.

Barreiras, o tempo e o espaço
Convivendo com o ciclo da borracha, houve o da agroindústria da cana de açúcar, com a elevada produção de rapaduras, cachaça e também açúcar, exportados pelas barcas. Também o algodão, que teve sua primeira indústria de descaroçamento com máquinas movidas por roda d´água, montadas pelo Coronel Severiano Ângelo da Silva, que introduziu também os primeiros gados da raça zebu.
Aeroporto de Barreiras

Outro fator decisivo foi a situação geográfica de Barreiras, situada no centro do Brasil, com um rio navegável que fazia a sua ligação com Juazeiro, onde havia trem de ferro para Salvador. Isso possibilitou a escolha de Barreiras para sediar um aeroporto que serviria de ponto de apoio ao desenvolvimento da aviação no Brasil, devido à possibilidade de trazer-se para aqui o combustível necessário ao abastecimento dos aviões. Iniciou-se a construção do aeroporto em 1937 mas logo a seguir veio a 2ª Guerra Mundial, quando o aeroporto se tornou base aérea americana, para os aviões que iam bombardear a África. Ao fim da guerra, em 1945, passou a ser o ponto de apoio para a aviação civil, com vôos de todo o Brasil, que aqui se abasteciam.

Desastre e recessão econômica
O governo da revolução de 1964 encampou todos os barcos que faziam as linhas da bacia do São Francisco entregando-os a uma estatal que fundou: a FRANAVE. Esta retirou todos os barcos dos rios, para fazer outros novos, não os fez suficientes, e, antes de haver estradas deixou a região sem meios de transporte.

A fim de passar o ponto de apoio para Brasília, o governo demoliu a parte de instalações de rádio que fazia o controle do tráfego aéreo, deixando-nos sem aeroporto.
Também encampou a hidrelétrica, que, com péssima administração, em dois anos deixou de fornecer energia, fechando-se todas as indústrias. Sem emprego, muitos barreirenses tiveram que emigrar.

Início da recuperação
Em 1972 o governo federal transferiu para aqui o 4º BEC, que iniciou a construção das estradas, para Brasília e em direção a Salvador.

Também na década de 1970 houve a pesquisa, em Brasília sobre como resolver o problema da infertilidade do solo do cerrado, que constitui 25% do território brasileiro. A solução encontrada foi a colocação de calcário dolomítico moído, para neutralizar a acidez desses solos, o que possibilitou a conquista do cerrado baiano, situado na nossa região.

Milhares de agricultores sulistas vieram para aqui comprar terras, nelas introduzindo a agricultura mecanizada e altamente científica, obtendo grande êxito possibilitado pelos altos empréstimos do Banco do Brasil e Banco do Nordeste. É este ciclo o que agora vivemos, quando, tal como no ciclo inicial da borracha, o dinheiro circulante atrai para Barreiras os mais variados tipos de comércio e serviços.

Mas a falta de aeroporto representa um sério impedimento à nossa industrialização, a falta de investimento para o Centro Industrial do Estado frustrou as expectativas e possibilidades de Barreiras, que ainda tem sérios problemas ambientais e sociais, todos necessitando de solução.

Entretanto, a instalação da UFBA poderá ser um início promissor de dias melhores para Barreiras e região e representar a concretização de uma grande vitória.
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