Os Ciclos Econômicos

A evolução de Barreiras

Talvez a maior riqueza de Barreiras seja a sua localização geográfica à margem do último porto no rio Grande. Ao princípio do século XIX só havia no local onde é Barreiras exclusivamente o porto, junto ao qual morava um só habitante, Plácido Barbosa, encarregado de receber as barcas.

Os habitantes do norte de Goiás, atual Tocantins, não tinham estrada para sua capital e utilizavam este porto para receber as mercadorias industrializadas de que necessitavam, como querozene, ferramentas, tecidos, remédios etc, ao mesmo tempo em que exportavam ouro e outros produtos. Os habitantes de Barreiras ficavam produzindo nas fazendas, exportavam produtos agropecuários e importavam mercadorias industrializadas.

A partir de 1870 surgiu o mercado da borracha, necessária para a fabricação de pneus na indústria automobilística que então nascia. Rica em mangabeiras, árvore que produz o látex, que, fervido, coagula-se na borracha, iniciou-se para Barreiras seu primeiro ciclo imigratório, com a vinda de milhares de pessoas, que fundaram o povoado de São João em volta do porto. Exportada para o exterior, a borracha era muito valiosa e atraiu para Barreiras sempre mais pessoas, o que resultou no crescimento rápido e emancipação como município independente. Com a circulação de dinheiro, pessoas de todas as profissões emigraram para Barreiras.

Ciclos econômicos

Barreiras oferece serviços

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Primeira turma de concluintes do ginásio (atual 5ª à 8ª série), no Colégio Padre Vieira (clique na imagem para uma versão aumentada)

Outra vocação de Barreiras foi a de prestar serviços à sua própria região e aos Estados vizinhos, pois desde cedo atraiu médicos, dentistas, farmacêuticos, professores, artistas, como músicos, escritores, poetas.

Teatro São José

Outro tipo de serviço foram as gráficas e a edição de jornais desde 1908, assim como as escolas, que atraíam estudantes da região e de outros Estados. A partir da década de 1980 iniciou-se a oferta de ensino universitário, contando hoje com várias faculdades particulares; a UNEB, Universidade do Estado da Bahia e um campus da UFBA, Universidade Federal da Bahia. Estamos assim vivendo o mais novo ciclo em Barreiras: o da oferta de ensino universitário, que vem atraindo estudantes de vários outros lugares do Brasil.

Barreiras, o tempo e o espaço
Convivendo com o ciclo da borracha, houve o da agroindústria da cana de açúcar, com a elevada produção de rapaduras, cachaça e também açúcar, exportados pelas barcas. Também o algodão, que teve sua primeira indústria de descaroçamento com máquinas movidas por roda d´água, montadas pelo Coronel Severiano Ângelo da Silva, que introduziu também os primeiros gados da raça zebu.
Aeroporto de Barreiras

Outro fator decisivo foi a situação geográfica de Barreiras, situada no centro do Brasil, com um rio navegável que fazia a sua ligação com Juazeiro, onde havia trem de ferro para Salvador. Isso possibilitou a escolha de Barreiras para sediar um aeroporto que serviria de ponto de apoio ao desenvolvimento da aviação no Brasil, devido à possibilidade de trazer-se para aqui o combustível necessário ao abastecimento dos aviões. Iniciou-se a construção do aeroporto em 1937 mas logo a seguir veio a 2ª Guerra Mundial, quando o aeroporto se tornou base aérea americana, para os aviões que iam bombardear a África. Ao fim da guerra, em 1945, passou a ser o ponto de apoio para a aviação civil, com vôos de todo o Brasil, que aqui se abasteciam.

Desastre e recessão econômica
O governo da revolução de 1964 encampou todos os barcos que faziam as linhas da bacia do São Francisco entregando-os a uma estatal que fundou: a FRANAVE. Esta retirou todos os barcos dos rios, para fazer outros novos, não os fez suficientes, e, antes de haver estradas deixou a região sem meios de transporte.

A fim de passar o ponto de apoio para Brasília, o governo demoliu a parte de instalações de rádio que fazia o controle do tráfego aéreo, deixando-nos sem aeroporto.
Também encampou a hidrelétrica, que, com péssima administração, em dois anos deixou de fornecer energia, fechando-se todas as indústrias. Sem emprego, muitos barreirenses tiveram que emigrar.

Início da recuperação
Em 1972 o governo federal transferiu para aqui o 4º BEC, que iniciou a construção das estradas, para Brasília e em direção a Salvador.

Também na década de 1970 houve a pesquisa, em Brasília sobre como resolver o problema da infertilidade do solo do cerrado, que constitui 25% do território brasileiro. A solução encontrada foi a colocação de calcário dolomítico moído, para neutralizar a acidez desses solos, o que possibilitou a conquista do cerrado baiano, situado na nossa região.

Milhares de agricultores sulistas vieram para aqui comprar terras, nelas introduzindo a agricultura mecanizada e altamente científica, obtendo grande êxito possibilitado pelos altos empréstimos do Banco do Brasil e Banco do Nordeste. É este ciclo o que agora vivemos, quando, tal como no ciclo inicial da borracha, o dinheiro circulante atrai para Barreiras os mais variados tipos de comércio e serviços.

Mas a falta de aeroporto representa um sério impedimento à nossa industrialização, a falta de investimento para o Centro Industrial do Estado frustrou as expectativas e possibilidades de Barreiras, que ainda tem sérios problemas ambientais e sociais, todos necessitando de solução.

Entretanto, a instalação da UFBA poderá ser um início promissor de dias melhores para Barreiras e região e representar a concretização de uma grande vitória.
Leia mais sobre a História de Barreiras:

2 ideias sobre “Os Ciclos Econômicos

  1. Antes de qualquer coisa, quero parabenizá-la pela iniciativa. Este site presta um serviço à sociedade barreirense, é a contribuição do fio da história na confecção da estampa do tecido social desta região.
    Mais uma vez, Parabéns pelo belíssimo trabalho!

    Gostaria ainda, de ter acesso informações referentes ao Mercado Caparrosa, sua história e participação nos ciclos econômicos.
    Grato,
    e.lobo

  2. Elvis, achei interessante você falar no fio do tecido social, porque nas décadas de 1940/50/60, quando tivemos aqui na cidade a fábrica de tecidos da família Boaventura, falva-se muito no fio… de algodão! Perguntando ao Sr. Janot Boaventura, já na década de 1990, por que a fábrica tinha chaminé (na rua 24 de Outubro), explicou-me que as bobinas, com os fios enrolados para correrem na horizontal do tecido, tinham que ser fervidas em uma goma de tapioca rala, a fim de aumentar sua resistência… Para haver a fábrica de tecidos, tinha que existir a fábrica de fios, cujo excedente era exportado, inclusive para a Argentina…
    O Mercado Caparrosa, que, de Caparrosa não tem nada… foi construído na década de 1950, pelo Prefeito Sabino Dourado, com planta do Dr. Geraldo Mum, que era príncipe reiante de Montenegro, na Europa Oriental, quando seu país e outros vizinhos, como Bósnia, Sérvia, foram invadidos pela Rússia. Para não morrer, o príncipe Geraldo Mum fugiu para o Brasil, onde se refugiou em Natividade, Goiás (atual Tocantins). Lá mantinha uma escola e trabalhava também em garimpo de ouro, quando o Prefeito Sabino Dourado, tendo notícia de sua biografia e competência, (formado na Suiça em Administração pública)convidou-o para trabalhar aqui.
    Para a construção do mercado, foi desapropriado pela Prefeitura um quarteirão de casas existentes no local.
    O Sr. Dezinho Macedo, irmão do grande fotógrafo Napoleão Macedo, foi encarregado de ir a São Paulo para comprar os materiais que, pela primeira vez seriam usados num prédio, em Barreiras: ferro para as fundações e paredes (veja que o mercado não tem uma rachadura!), portas de ferro de enrolar, motobomba para captar água no rio (não havia ainda água encanada, só no fim da década de 1950 seria instalada por nosso conterrâneo, Governador Antônio Balbino de Carvalho Filho), enfim todo o material sanitário e para a instalação dos açougues. Seu Dezinho conseguiu fazer essas compras em São Paulo em tempo récorde: um Mês! Não havia estradas, então viajava-se de navio a vapor até Pirapora, em Minas Gerais, de lá seguindo por estrada de ferro! O Mercado foi inaugurado em janeiro de 1951, sendo instalados os açougues frente ao cais, do lado direito, onde hoje ficam lojas de artesanato. Em toda a volta, implantaram-se lojas e a feira era realizada na parte de dentro.
    Com o crescimento de Barreiras, a feira se derramou pelas ruas e praças do entorno e para atender à nova demanda, no final da década de 1980 o Prefeito Baltazarino Araújo Andrade construiu o Centro de Abastecimento, à margem da avenida Antônio Carlos Magalhães, constando de vários pavilhões, que foram aumentados nas administrações seguintes e também a feira já transbordou para as ruas em torno…
    O velho mercado teve o seu interior utilizado para a oferta de comida caseira, com grande número de bancas, onde diligentes mulheres ofereciam comida boa e barata. O local era muito procurado pelos que vinham a Barreiras, provenientes das cidades circunvizinhas, porque, além de almoçar, as pessoas pediam à donas das bancas para guardar os volumes de tudo que haviam comprado no comércio local, enquanto faziam outras coisas.
    Esse restaurante popular/ guarda-volumes era muito procurado, o que mantinha a frequência às lojas do local e das ruas em volta. Mas no início de gestão de Antônio Henrique, em 1997, foi solicitada a desocupação do recinto, fechando-se a parte interna do mercado. Caiu imediatamente o comércio, as lojas vizinhas todas fecharam.
    Aos poucos, foi-se estabelecendo nas lojas do mercado, ocupadas por bares, um ativo ponto de lazer, com música ao vivo, mesas e cadeiras na praça Landulfo Alves.
    Na última gestão de Saulo, já estando muito deteriorada a parte interna, fechada e abandonada há tanto tempo, foi restaurada, direcionando-se à cultura, e então criou-se o nome Mercado Caparrosa.
    Quem foi Caparrosa? O nosso primeiro Intendente, nome que se dava a Prefeito. De 1891 a 93, construiu o Cemitério São João Batista, a fim de retirar o antigo cemitério, desordenado, que havia na Praça Emídio Balbino (Praça da Delegacia antiga, da Primeira Igerja Batista…) e também iniciou a construção da Igreja de São João Batista, deixando-a com as paredes a um metro e meio, que foi mais tarde concluída pelo Padre Vieira.
    O velho mercado está com o seu interior outra vez abandonado, o aspecto externo também é de meter dó. Você sabia que a Prefeitura deixou, há muito tempo de cobrar o aluguel das lojas e bares ali existentes?! Tão boazinha, certo? Eraado, se cobrasse os aluguéis, como é de lei, teria condições financeiras para recuperar esse belo prédio que é nosso mercado. Quanto ao nome, Caparrosa, não foi votado pela Câmara de Vereadores – que é quem nomeia os prédios e locais do município. Então oficialmente não existe… Foi o mesmo que trocar seis por meia dúzia…

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