Catar umburana no mato

Você já teve espinhela caída, ventusidade, ficou afremado, estuporado ou com outra doença típica barreirense? Umburana de cheiro, bem macerada, dá um chá que cura estes e outros males, é um verdadeiro remédio contra estupor. E agora está no tempo de correr para o mato, pois os pés de umburana estão abrindo as vagens e soltando as sementes, que têm como uma asa bem leve e transparente, que voa, ao sabor do vento.

Se não for logo, não acha mais, por isso no último domingo fui a uma matinha, lá pros lados do rio de Ondas, que é o verdadeiro paraíso das umburanas e dos pés de chichá. Estes também estão com as lindas frutas bem vermelhas abertas, já soltando os caroços.

Quando se fala em madeira de lei, umburana de cheiro é a peroba rosa, que dá lindos móveis. Mas o assunto, aqui, é sua saúde: colhidas as sementes de umburana, bem cheirosas, retire a asinha branca e bote para secar, basta ficar numa vasilha aberta, que é para não mofar. Depois de bem seca, pode guardar numa lata ou vidro, bem fechado. Para fazer uma xícara de chá, pegue três sementes, macere num almofariz ou de qualquer forma e coloque no fogo, para ferver. Adoce com mel ou açúcar e está pronto seu remédio, que cura má digestão, indigestão e outros males. Você pode colocar também na pinga os caroços e então já é um ótimo remédio para a garganta, gripe, defluxo…

O meu caro amigo, Dr. Luíz Pamplona, já decretou que ninguém fica estuporado, por isso não pode existir remédio contra estupor. Mas, quem sabe? Por via das dúvidas, é melhor se prevenir, que seguro morreu de velho. Então corra para o mato e faça seu estoque de semente de umburana. Inclusive uma velhinha da roça me disse que os galos que criava costumavam ficar estuporados e ela dava a eles, no bico, o remédio. Creia em Deus, que é santo velho…

Personagens da emancipação de Barreiras – 26 de Maio

Hoje, exatos cento e vinte e um anos depois da cerimônia que instituiu o município de Barreiras, com a posse do Intendente (Prefeito), do Conselho Municipal (Câmara de Vereadores), imaginemos  o orgulho e alegria de todos, então, aliados a uma expectativa imensa: como vai ser, qual será o futuro de nossa terra, agora que ficamos independentes e os destinos de Barreiras serão decididos aqui mesmo?!

Imaginemos a festa da emancipação, os discursos, as músicas… Será que houve uma cerimônia religiosa? Não foi escrito em nenhum lugar, mas a tradição oral conta que, por não existir ainda uma igreja, foi improvisada uma grande barraca, coberta por couros de boi costurados, formando como se fosse uma lona. É provável que o Padre Neto, o vigário de Angical – município de que Barreiras estava se desligando – tenha vindo celebrar uma missa solene. A imagem de São João Batista hoje existente no altar-mor da Catedral foi encomendada a um escultor de Barra, para solenizar a data da emancipação, esse é outro dado que reza a tradição oral barreirense. Então podemos imaginar essa bela imagem do Padroeiro abrigada sob o teto de couro de boi, abençoando a cerimônia. Continuar lendo

Dia 26 de maio – Aniversário da Emancipação de Barreiras

Devido à sua fertilidade, nossa região começou cedo a ser habitada e colonizada pelos fazendeiros, que aqui chegavam nos barcos à vela e iam se estabelecendo à margem dos rios e dos riachos. Não havia um núcleo urbano, uma cidade, mas apenas o porto no rio Grande, por volta de 1825, e o movimento de chegada das barcas, trazendo artigos que não havia aqui, como sal, café, e mercadorias industrializadas, tipo remédios, ferramentas (machado, enxada, serrote, pá…), querosene, tecidos, louças, panelas e tudo que fosse de metal, papel etc. Os fazendeiros que aqui moravam, inclusive os de Goiás, iam ao porto comprar tudo aquilo de que necessitavam e ali vender sua produção agrícola: carne seca, cereais, farinha de mandioca, produtos da cana de açúcar,algodão, couros… De Goiás, além da produção agrícola, vinha o ouro dos garimpos.

Por volta de 1850, o primeiro habitante, o barqueiro Plácido Barbosa, estabeleceu-se à beira do porto, que era situado na Fazenda Malhada, pertencente ao Coronel de Angical, José Joaquim de Almeida. Outros moradores foram chegando e fazendo ali também suas pequenas casas, em função do movimento das barcas, num progresso lento, até atingir umas vinte casinhas. Continuar lendo

Foguete de rabo

Uma das lembranças mais antigas da minha infância em Barreiras, nas décadas de 1940 e 50, é a dos foguetes de rabo, soltados durante as procissões de São João Batista, Sagrado Coração de Jesus, Festas do Divino e São João e em muitasoutras ocasiões.

Eram foguetes feitos aqui mesmo pelos fogueteiros – essa era profissão respeitada então – e que consistiam num pedaço de taboca, bambu ou outro galho oco, fechado em baixo com barro de liga amassado e cheio de pólvora. Era amarrado na ponta de uma fina vara, com a parte fechada para baixo, ficando livre a dapólvora, onde se colocava o fogo. O foguete subia que era uma beleza, varando os céus com um zumbido, até estourar com um pipoco bem alto e ao fim, cair a varinha.

Claro que aqui já existiam no comércio os fogos industrializados, como os foguetes Adrianino e outras marcas, além de busca-pés, cobrinhas e outros, soltados pelos meninos junto às fogueiras de São João. Mas nas grandes solenidades ainda eram os foguetes de rabo que davam as cartas, melhor dizendo, davam os estouros… e davam sustos, também, nas procissões, quando as varinhas voltavam do céu, caindo com alta velocidade na cabeça de alguém… Mas tudo bem, fazia parte. Continuar lendo

Origem do nome de Barreiras


As pessoas sempre perguntam: como uma cidade que oferece tantas oportunidades, a ponto de estar continuamente recebendo imigrantes (desde sua fundação, no ciclo migratório da borracha, a partir de 1870,  até nossos dias), pode se chamar Barreiras?! Barreiras não é aquilo que barra, que impede? Quais são, afinal, essas barreiras, tão poderosas que suplantaram o nome inicial, São João? Afinal, o que é que essas barreiras barram?

Para compreender, olhe a foto acima: elas barram a navegação, pois  são barreiras de pedras à flor d’água, dentro do rio Grande, que fica até parecendo o rio de Ondas; inclusive faz o mesmo som, que, de longe, já se escuta. E barram totalmente a passagem de um navio, exceto canoas muito estreitas.

A navagação pelo rio Grande, afluente do São Francisco, era o fator mais importante do progresso local, desde a fundação de Barreiras, até a década de 1970, quando o 4º BEC se instalou aqui para fazer as estradas. Antes disso Barreiras era ilha: aqui só se chegava de barco ou de avião!  Continuar lendo

CONCURSO 120 ANOS DE BARREIRAS

Publicamos fotos das estátuas clássicas de Barreiras e agora convidamos você para concorrer!

A primeira resposta totalmente correta, ganhará do site História de Barreiras um exemplar do livro “Barreiras, Uma História de Sucesso”.

Responda, após identificar as estátuas que estão em antigos imóveis do nosso Centro Histórico:
1 – Em que casas, informando rua e número, se encontra cada uma das estátuas retratadas por Napoleão Austregésilo de Macedo?

2 – A quem pertenciam e a quem pertencem hoje as referidas casas?

3 – A estátua de números 8 e 9 mudou de lugar há poucos anos. Onde ela originalmente foi colocada, por que e a quem pertencia a casa, magistralmente retratada por Napoleão, apesar de a rua ser muito estreita?

4 – Onde está hoje (rua e número) essa estátua e a quem pertenceu a casa, depois vendida a quem?

Responda através do site e… Boa sorte!

Ignez Pitta

06 de abril de 2011

Há 120 anos, o Governador José Gonçalves da Silva assinou a lei nº 237, que criou o município de Barreiras. É uma data que deveria ser recordada, pois o município tem que ser criado, para só depois ser instalado. Não vamos deixá-la passar em branco!

E também homenagear esse Governador baiano que criou nosso município em 06 de abril e, em 09 de julho do mesmo ano, 1891, assinou outra lei, instiuindo em Barreiras o Poder Judiciário, com o Fóum e Conselho de Jurados. O Fórum foi instalado logo no mês de agosto. E Barreiras estava, assim, criada, com os três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário constituídos.

Parabéns, Barreiras!

Estátuas nos casarões antigos de Barreiras

Que é que vamos dar de lembrança a nossa terra? Já sei: a publicação das fotos de suas belas estátuas renascentistas, também chamadas clássicas, que enfeitam as fachadas dos casarões do início do século XX.

Apesar de estarem no alto, por sorte, em 1997, tive a inspiração de pedir ao grande fotógrafo Napoleão Austregésilo de Macedo para fotografá-las de perto e ele, usando uma escada e seu enorme talento, fez fotografias primorosas.

Quando Barreiras estava sendo construída, a arquitetura em voga era renascentista: revivia a arte clássica da Grécia e de Roma, seguindo a tendência do Renascimento,  trazida para nós pelos colonizadores portugueses.

Então, uma casa bonita era aquela que possuía elementos gregos e latinos, inclusive as estátuas simbólicas de deusas. Cada uma delas portava um objeto simbólico, por exemplo, uma enxada, representando a agricultura; uma roda dentada – a indústria; outra, uma serpente enrolada em uma haste, encimada por uma par de asas, símbolo que é denominado caduceu de Mercúrio, deus do comércio e das comunicações, que é o que mais aparece, dando ênfase à importância do comércio em nossa terra, além da própria águia romana, símbolo do grande império da antiguidade. Continuar lendo

2011 – Barreiras completa 120 anos de sua emancipação


Foto: Juarez José dos Santos

Parabéns, Barreiras! Neste ano da graça de 2011, você estará comemorando seus 120 anos como município independente!

Algumas pessoas, entretanto, continuam a dizer que há controvérsia nas datas e que nunca vai se saber corretamente quando se deu a emancipação, mas se recusam a conferir o tema nos livros históricos… Essa controvérsia é impossível, pois todo município é criado através de leis.

Excetuando-se as cidades planejadas, desenhadas para serem capitais, como Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, qualquer município começa como um povoado, que vai crescendo e se desenvolvendo, até ser elevado a Distrito daquele município do qual pretende se separar. Isso é feito através de lei municipal, votada pelos Vereadores, na Câmara Municipal e sancionada pelo Prefeito. Depois, terá que ser votado na Assembleia Legislativa um projeto de lei, elevando-o a município, que, se for aprovado, será convertido em lei estadual, ao ser sancionado pelo Governador do Estado. Em seguida o município é instalado, com a posse do primeiro Prefeito e Câmara de Vereadores. Depois ainda virá a instituição, ali, do Poder Judiciário, completando-se assim a instalação dos Três Poderes que caracterizam a democracia: Executivo, Legislativo e Judiciário. Continuar lendo