Quem foi o homem Geraldo Rocha?

Quem foi o homem Geraldo Rocha? Alguém que conviveu com Presidentes da República, recebeu medalhas e condecorações de outros países, por relevantes serviços prestados, que podemos conhecer no Museu Municipal de Barreiras, generosamente doadas por D. Zezete Laurille de Carvalho, viiúva de seu sobrinho Orlando…

Alguém que construiu uma magnífica mansão, onde morava, no Rio de Janeiro, e outra aqui em Barreiras, na sua fazenda Água Doce… Jornalista, que foi, inclusive, sócio de Roberto Marinho, fundador da Rede Globo. Sim, ele foi tudo isso, mas dito assim, parece que falta a essência, falta a alma. Ele foi um homem a quem a vida brindou com tão grandes qualidades, mas, ao mesmo tempo, negou a capacidade biológica de ter filhos.

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Dr. Geraldo Rocha e sua esposa, a francesa Madame Jane

Ele se casou duas vezes, ficando a maior parte de sua vida com a linda francesa, Madame Jane, de quem muita gente em Barreiras ainda se recorda, mas não teve a felicidade de ter em seus braços um filho seu. O que ele sentia sobre isso? Não há registros, se houve confidências, não foram divulgadas mas podemos imaginar sua capacidade de amar pela intensidade com que amou e se dedicou a seus sobrinhos, como Orlando Rocha de Carvalho, por exemplo, a quem enviou, na década de 1920, para estudar na Universidade de Cornell, em Nova Yorque, Estados Unidos.

E podemos conhecer o que o jovem Orlando vivenciou lá, pois ele comprava os anuários da Universidade, preciosos livros em papel couchê, ilustrados, que mostram uma infinidade de fotos, não só dos edifícios, mas de todas as atividades da famosa Universidade americana. Esses livros nos foram doados por sua esposa, D. Zezete, que deseja sejam eles conhecidos por nós, barreirenses.  Continuar lendo

Dr. Geraldo Rocha e a preocupação com o meio-ambiente

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Dr. Geraldo Rocha, já nos anos 50, muito antes de a preocupação com o meio-ambiente tornar-se a questão importante que é hoje, foi quem primeiro chamou à atenção para a devastação acelerada do Rio São Francisco e das suas matas, pelas siderúrgicas, provocando “um deserto que invade o Rio”.

Já alertava ele em seu livro “O RIO SÃO FRANCISCO – Fator precípuo da existência do Brasil“: “Em futuro próximo, as matas devastadas influirão para acentuar a diminuição do regime pluviométrico, secando os mananciais. As margens arenosas, desprotegidas, desmoronam com facilidade, e dentro em pouco, o grande rio da penetração dos pioneiros, será inacessível mesmo às canoas, estendendo-se numa zona desértica da Serra da Canastra ao Atlântico, cujas conseqüências políticas, determinarão o esfacelamento do Brasil. Dominar o São Francisco, é o mais angustiante problema nacional (grifo nosso). O grande rio se vingará… dando causa, talvez, ao nosso desaparecimento como Nação (grifo nosso). Continuar lendo

Geraldo Rocha, o homem que brincou de Deus

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Entrada do Rego, no Rio de Ondas

Construir uma hidrelétrica em 1920, num lugar onde existisse uma queda d´água representava um grande empreendimento, muito foco e articulação. Mas construir uma onde essa cachoeira não existia… como aqui dentro de Barreiras, bem, isso já é brincar de Deus!

Teria que ser cavado, a braço e força de homem (ainda não era comum a existência de trator), um rio de dez metros de largura e 8 quilômetros de comprimento, como Dr. Geraldo fez, para realizar a transposição das águas do rio de Ondas até dentro do bairro Barreirinhas, a um lugar onde um desnível natural do terreno permitiria cavar para construir a queda d´água que moveria as turbinas. E assim realizar o milagre da energia hidráulica. Se isso fosse hoje, mesmo assim ainda seria uma obra grandiosa! Mas de 1920 a 1928… Assim foi criado o antigo Rego de Barreirinhas, que alimentava a Usina Hidrelétrica de Barreiras.

Houve primeiro o milagre da multiplicação dos empregos, claro, e de todos cantos da nossa região vieram homens para trabalhar, de picareta, enxada, pá… No Museu Municipal existe a planta baixa desse rio feito pela mão humana, e vamos imaginar a competência necessária, há 80 anos, sem os instrumentos precisos que existem hoje, para fazer a água desviar-se do rio de Ondas, entrar no canal e correr até encontrar a queda que a precipitaria nas turbinas.

Veja a seguir fotos da construção do Rego e da Usina Hidrelétrica de Barreiras: Continuar lendo

Biografia de Dr. Geraldo Rocha

Dr. Geraldo Rocha e sua esposa, a francesa Madame Jane

Antônio Geraldo Rocha, que depois abreviou o seu nome para Geraldo Rocha, nasceu na cidade de Barra, no dia 14 de julho de 1881, filho de Antônio Geraldo Rocha e de D. Cantionilia Mariani Rocha, havendo tido duas irmãs, que foram Custódia e Cantionilia Rocha.

Quando Geraldo tinha apenas sete anos, sua família se mudou para Barreiras, sendo nossa terra apenas um povoado, e aqui ele fez os seus estudos primários. Chegou com o pai e as irmãs, pois nessa época sua mãe já havia falecido, tendo vindo juntamente com seu tio Francisco Rocha e sua família. Os dois irmãos, Antônio Geraldo e Francisco Rocha construíram, para morar, um lindo sobrado no início da rua Ruy Barbosa, que, infelizmente foi demolido, como muitos outros prédios históricos da nossa cidade. Dele restou apenas a foto e assim podemos visualizar a casa onde se criou Geraldo Rocha, dos sete aos 14 anos (sobrado no lado direito, com as janelas do piso superior em arco, nas fotos abaixo). Então seu pai enviou-o para prosseguir os estudos em Salvador, no Colégio São José e depois na Escola Politécnica da Bahia, onde se formou engenheiro civil em 1905. Seu primo, Francisco Rocha, também foi estudar em Salvador e se formou em Medicina.

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Rua Ruy Barbosa, esquina com a Praça Duque de Caxias (Praça do Coreto)

Praça Duque de Caxias por você.

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25 de Agosto – Dia do Soldado

O ser humano tem, dentro de si, a ânsia pela perfeição total e, assim, vê como mitos de retidão, capacidade administrativa e de tomar sempre a atitude mais correta, os membros de todas aquelas instituições que, para ele, são símbolos de fé e confiança, para a Pátria, verdadeiros alicerces da sociedade e para o indivíduo.

Mas não: sempre existirá a imperfeição humana individual, a capacidade de errar, as vezes até querendo acertar, ou o despreparo para desenvolver uma determinada missão, para a qual não se foi treinado. Explico-me: quando organizei o Museu Histórico de Barreiras, em 1997, o então Secretário de Finanças – não o de Educação e Cultura, claro – o Dr. Abbenhuser, era um entusiasta da obra e, através de sua Secretaria, adquiriu e doou ao Museu peças de valor inestimável, como uma grande âncora de navio a vapor, que um jovem resgatou do fundo do rio. Também comprou obras de um artista plástico que pintava pedras com tinta dourada, criando reflexos para que parecessem pepitas de ouro. E não deu outra: a marginália barreirense se ouriçou, chegava lá perguntando pelas pepitas de dois quilos… E a gente, trabalhando ali, tremia de medo, sem nenhuma proteção. Isso foi logo quando as primeiras mulheres foram admitidas como soldados da Polícia Militar. Mas veja a coincidência, aliás, sincronicidade, pois Jung afirma que não há coincidência: Vinham duas jovens soldadinhas, graciosas em seus uniformes militares, descendo a rua Barão de Cotegipe, quando avistaram quatro tipos suspeitíssimos entrando no Museu e entraram junto, caladas, postaram-se aos lados dos ditos cujos, exalando autoridade. Não eram mais as quase meninas, que eu havia achado bonitinhas, mas militares treinadas para proteger a sociedade.

– Quero ver as jóias, disse o que parecia ser o chefe. E eu, tremendo como vara verde: – Senhor, aqui não existem jóias. E o homem deu um passo para cima de mim, as militares deram dois em direção a eles, continuando caladas. Claro, ali era um lugar público, onde, em tese qualquer cidadão poderia entrar. E os nossos “cidadãos” resolveram que iam vencer pelo cansaço e foram espicular onde estavam as pepitas (já estavam guardadas, claro, que ninguém é doido de manter, sem proteção, algo que pareça ouro).Explicamos, respondemos às perguntas mais estapafúrdias sobre o acervo, o tempo vai passando, os homens esbanjando todas as formas de pressão e as nossas soldadinhas esbanjando autoridade, contenção, domínio de si e da inusitada situação. No fim, elas ganharam a queda de braço, os homens saíram, elas permaneceram à porta do Museu, até vê-los bem longe. Agradeci pela defesa prestrada, pedi-lhes que assinassem o livro de visitantes e lhes garanti que telefonaria para o 10º BPM, a fim de comunicar a sua excelente atuação. Pequei o telefone.

E aí veio o drama: – Senhora quer dar queixa delas? Pergunta quem atendeu, diante da história resumida do acontecimento.. – Não, quero fazer um elogio. – Não, senhora, elogio não pode, só pode denúncia. – Mas eu quero agradecer. – Não pode, aqui só pode denunciar. – Então eu quero falar com quem de direito. – Quem de direito sou eu. – Não é não, quero falar com seu superior. Aqui só pode falar comigo… e por aí foi o soldadinho, que devia ser também um quase menino, mas não estava nada gracioso na sua prepotência e incapacidade de adaptar-se a uma situação diferente. Venceu-me pelo cansaço. Quem dos três representa a PM baiana?

Algum tempo depois de o 4º BEC instalar-se em Barreiras, na década de 1970, um ex-soldado procurou meu pai, Edgard Pitta, deseperado, porque tinha sido expulso e não conseguia arranjar emprego. Foi sincero: -Eu trabalhava na parte de armazenagem de explosivos e um tenente (devia ser jovem, para ser tão desmiolado), ordenou-me pegar escondido e dar a ele um boa quantidade de pólvora, para fazer bombas e matar peixes no Rio Branco. Fui descoberto, expulso, estou com os documentos sujos, me dê um emprego, pelo amor de Deus, pois minha família está passando fome. Meu pai contratou-o como motorista e comunicou o caso a minha mãe e a mim, explicando que o jovem, diante de um erro dessa proporção, é normal que seja expulso do Exército, mas está arrependido e deve ser amparado pela sociedade. Nossa família conviveu com ele por muito tempo e aprendeu que a tolerância com os erros humanos pode ser a semente para o resgate desses erros. .

Estou escrevendo isso tudo em função do Dia do Soldado, diante do erro cometido por alguns militares do Exército no Rio de Janeiro, que estavam deslocados de sua função de defensores da Pátria, para defensores de uma obra eleitoreira. Eles erraram? Sim, tanto quanto o que abusou do poder, não me permitindo falar com seu superior, quando eu quis agradecer pela defesa prestada pelas militares da PM. Como o que desviou a pólvora, para o crime ambiental de matar peixes com explosivos, embora agindo no cumprimento de ordem de um superior. E o estranhamento da sociedade é justamente por não decifrar o mito da perfeição total que a embala. Erros individuais sempre vão existir, o Exército, a PM, enfim, o Brasil são grandes e infinitamente maiores que as simples pessoas que que os integram e teremos que aprender a diferenciar a parte do todo e o todo é esse Exército aguerrido contra os inimigos da Pátria e construtor do progresso de seu povo. Viva o Dia do Soldado! E vivam as duas militares da PM que podem ter salvado minha vida, e todos os militares que cumprem seu dever!

História do Bairro de Barreirinhas

Desde o início do século XX começou o surgimento de Barreirinhas, à margem esquerda do rio Grande, em frente a Barreiras.

As terras onde se situou, na parte oeste, pertenciam, de início, ao primeiro médico de Barreiras, Dr. Augusto César Torres Barrense, depois herdadas por seu sobrinho, Ahylon Macedo, que as loteou, a partir da década de 1960, além de fazer inúmeras doações.Do lado leste, pertenciam ao Major Cândido Azevedo e foram herdadas por seu filho, José Braz Azevedo, (marido da grande Professora Juvinha Carvalho Azevedo) e também foram loteadas e doadas.

Na parte norte, pertenciam à Cia. Sertaneja, além da área mais ao sul, onde foi instalada a hidrelétrica, inaugurada em 1928, o matadouro-frigorífico e a parte, doada à Prefeitura na década de 197O, para a implantação do Parque de Exposições Agropecuárias, que recebeu o nome de Geraldo Rocha, abrangendo até a curva do rio Grande popularmente conhecida como Baía de Guanabara. Continuar lendo

Tsylla Balbino

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Tsylla Mª Balbino de Carvalho Ferreira
email: tsylla@globo.com

FORMAÇÃO ACADÊMICA:

Especialização em Gerenciamento Acadêmico (International Diploma in Language Teaching Management), University of Cambridge, England; The University of Queensland, Australia; School for International Training, Brattleboro, Vermont, 2002

M.A. in Teaching, School for International Training, Brattleboro, Vermont, 2000

Concentração: Ensino de Língua Inglesa (EFL/ESL)

Projeto Profissional Independente: Feedback – Who needs it anyway?

Licenciatura em Letras, Universidade de Brasília (UnB), 1987

Curso de Treinamento de Professores, Casa Thomas Jefferson, Brasília – DF, 1984 Continuar lendo

Edgar Pitta e Barreiras – Uma História de Amor e Dedicação

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Edgar Pitta nasceu em Casa Nova BA, em 01 de março de 1909, filho de Delfino de Deus Pitta e Júlia dos Santos Pitta, sendo o antepenúltimo de nove irmãos e começou a trabalhar ainda menino na loja de seu pai, demonstrando grande responsabilidade.

Na sua terra natal só existia o curso primário e ele sonhava continuar seus estudos, tendo sua atenção voltada para Ilhéus, que vivia a prosperidade do cacau. Ali tinha certeza de arranjar um emprego, que lhe possibilitaria o prosseguimento de sua educação.

Estava, assim, se preparando, aos 17 anos, para essa mudança, quando seu pai foi contactado pelo Sr. Agripino Braga, também filho de Casa Nova, que era proprietário de uma grande empresa comercial em Barreiras e havia se transferido, com a família, para Salvador. Precisava de um jovem de confiança e que já tivesse experiência de trabalho no comércio, que viesse para Barreiras trabalhar na sua firma. Edgar foi então solicitado por seu pai a assumir o encargo, o que lhe causou grande sofrimento.

Comprometeu-se a vir para Barreiras e a permanecer por um ano, ao fim do qual retomaria seu projeto de estudar em llhéus. E assim, em 1927 chegou a Barreiras em um navio a vapor e imediatamente se apaixonou por esta terra. Foi amor à primeira vista, de que resultou uma fecunda convivência de 70 anos. Continuar lendo