
Sem ter tido minas de qualquer metal precioso, Barreiras viveu, desde sua origem até algumas décadas atrás, um verdadeiro ciclo do ouro, devido à fartura desse valioso metal no vizinho estado de Goiás e atual Tocantins, com seus ricos garimpos. Eram muitas histórias… contava-se até que lá o ouro era tanto, que as galinhas, quando ciscavam o chão à cata de milho, às vezes engoliam pequenas pepitas de ouro – que são são mesma cor do milho – e, por isso, a caminho da panela, era preciso observar com atenção o conteúdo de seu papo, que poderia conter uma verdadeira riqueza…
Na vizinha cidade de Dianópolis, atual Tocantins, havia entrada de garimpos até dentro da área urbana, em outros lugares, eram procuradas as pepitas nas margens e leitos dos riachos.
Muito distante da sua própria capital, situada bem ao sul, que foi primeiro Goiás Velho e depois Goiânia, o norte de Goiás comercializava o seu ouro através de Barreiras, onde existiam muitos ourives com sua criativa produção de jóias, inclusive revenda de jóias fabricadas nas áreas dos garimpos, pricipalmente peixes de ouro, correntes, crucifixos etc. Os dentistas, também, em lugar de fazerem obturações usando o amálgama importado, próprio para isso, e, claro, bem mais caro, preferiam utilizar o ouro, que era muito mais barato aqui, enfim, era a própria prata da casa… Dentistas de outros lugares, como de Juazeiro, às margens do rio São Francisco, também mandavam comprar ouro em Barreiras, e, entre algumas pessoas, havia até o hábito um tanto bizarro de ostentar riqueza e poder, recobrindo totalmente de ouro um ou mais dentes da frente, o que foi muito comum até meados do século XX: exibiam um faiscante sorriso áureo!

O Governo Federal mantinha contratos de compra de ouro com empresas barreirenses, de todo o precioso metal que captassem nos garimpos de Goiás, que deveriam enviar para Salvador, já purificado e transformado em lingotes de um quilo, onde tinham garantida a compra. O ourives que fazia esse beneficiamento do ouro era o Sr. Clóvis Macedo, de tradicional família barreirense, que o recebia em pepitas, incrustado de areia e pedras, derretia-o, purificando-o e coagulando-o depois em barras.
Já no início da década de 1970, quando começou um novo ciclo imigratório em Barreiras, com a chegada de agricultores vindos de vários lugares do nordeste, que compraram terras aqui, para implantação de lavouras beneficiadas com os empréstimos do PROTERRA, e também iniciaram comércios nas áreas da agropecuária, entre os imigrantes, como o engenheiro agrônomo Carlos Costa, o veterinário, Dr. Reginaldo, veio também Romero Amorim, fundador da Casa Grande Agropecuária, cuja esposa, a dentista Dra. Clara, admirava-se, em seu consultório, de encontrar tantas obturações feitas em ouro… o que, naquela data, já não se fazia mais.
Com tal abundância em Barreiras, do precioso metal, uma vez, na década de 1930 o Dr. Geraldo Rocha veio do Rio de Janeiro até aqui para adquirir lingotes, que iria levar de presente para sua amiga Eva Perón, na Argentina, pois tinha ficado sabendo que ela estava desejando ter uma penteadeira, com a moldura do espelho trabalhada em ouro.
Eu não sabia que em Barreiras o ouro teve um papel relevante em sua história. Ainda bem, que temos uma historiadora comprometida em resgatar esse passado, que muito orgulha aos verdadeiros barreirenses.
Querida Professora Ignez, meu avo era Ourives em Barreiras, o nome dele era Francisco Aurelio Jacaranda. Gostaria muito de saber mais informacoes sobre ele e se a Sra. teria uma lista com nomes dos Ourives da regiao no comeco do seculo 20. Saudacoes da Dinamarca. Eliana