Como fazer um museu histórico?

Barreiras sedia a primeira oficina regional de documentação de museus

Desde que nosso conterrâneo, o baiano Gilberto Gil foi titular do Ministério da Cultura, ele se empenhou em divulgar um novo conceito de museu. Antes considerado como a casa das musas, da beleza sublime de quadros e outras maravilhosas obras de arte, sem abandonar, claro, esse conceito, outra ideia passou a surgir, ao pensarmos em museu: a casa da cidadania, o museu histórico que até as pequenas cidades podem ter, retratando a sua origem, seus fundadores, a cultura popular e a vida de seus habitantes. Um lugar privilegiado pelas lembranças das pessoas, que ali também se retratam e onde se  sentem pertencer. O museu histórico que desperte na criança, no jovem, em todos que o visitem um forte senso de identidade, ao reconhecer que são uma parte importante, uma continuidade daqueles que ali estão representados através de suas fotos, objetos, documentos, vida cultural, econômica, religiosa…

Em vista disso, a Diretoria de Museus – Dimus – do IPAC, pertencente à Secretaria Estadual de Cultura, em Salvador, vem se empenhando em divulgar essa tão enriquecedora ideia de museus em todo o Estado, visando levá-la às cidades do interior, em cada um dos nossos territótios de identidade.

De início, organizou o 1º Encontro Baiano de Museus, em Salvador, convidando pessoas de algum modo ligadas a museus, em todo o Estado e criando então uma rede de voluntários, para atuar como articuladores. Da nossa região Oeste, ficamos eu, Ignez Pitta, da bacia do rio Grande e Joaquim Lisboa e Angélica Rodrigues, da bacia do rio Corrente, que nos comprometemos a disseminar a nova ideia do museu existir em cada cidade, como instrumento educacional e formador de cidadania.

Desse modo, com o apoio dos articuladores, puderam ser disseminadas oficinas de conhecimentos museais, ministradas pela DIMUS, através de toda a Bahia, organizadas, em cada região, com o apoio do município sede.
E assim chegou a vez do Oeste: todos as Secretarias de Cultura dos municípios, instituições museais em funcionamento ou em vias de organização foram convidadas, sendo que vieram representantes de Buritirama, São Desidério, Catolândia, Luís Eduardo, Santa Maria da Vitória, Cristópolis, Wanderley e de Barreiras, a fim de participar dessa, que é a oficina inicial, onde os participantes aprendem o bê-a-bá da organização de um museu: a documentação das peças que constituem o seu acervo.

De Santa Maria da Vitória, além dos articuladores, veio um representante do Museu que guarda as peças do grande carranqueiro, Guarany; Em Barreiras, a Diocese está organizando o Memorial D. Ricardo e enviou uma representante, comparecendo também um organizador de quadrilhas juninas; a professora da UFBA que está montando o Museu do Cerrado e vários alunos; representantes do Memorial do Colégio Padre Vieira e do Museu Napoleão de Mattos Macedo. Os representantes dos outros municípios que compareceram irão poder iniciar em cada um deles o seu museu histórico.

A DIMUS enviou a museóloga Marília Pereira, que, por três dias nos passou a metodologia, de forma teórica e com muitas práticas, de como iniciar um museu, fazendo corretamente a documentação do seu acervo, também realizando visitas técnicas ao Memorial do Padre Vieira, ao Museu do Cerrado e ao Napoleão Macedo, prestando várias orientações adequadas. Também foi com a turma visitar o casarão que sediará o Museu projetado para ser inaugurado brevemente em São Desidério, imóvel que pertenceu ao primeiro Presidente da Câmara de São Desidério, agora adquirido e belamente restaurado pela Prefeitura.

A Oficina teve lugar em Barreiras no Palácio das Artes, tendo recebido total apoio do Coordenador de Cultura do município, João Bosco Fernandes e de Gelson Vieira, Representante Estadual do Territorio, que, inclusive, participou da oficina e recebeu o diploma, junto com a turma.

Agora nos empenharemos em registrar as inaugurações dos vários museus que, brevemente, estarão nascendo em nossos territórios!


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