O dia em que o rio Grande começou a secar


Foto da Barragem do Rio das Fêmeas

Pânico, dor, horror… Foi o que viveu a população da bacia do rio Grande, vendo suas águas baixarem, desaparecerem rapidamente, nos dias 27 e 28 de setembro. No leito à mostra, pessoas pegando com a mão os peixes que se debatiam… E as notícias de que o rio das Fêmeas, (um dos formadores do rio Grande) havia secado totalmente, registrando-se a mortandade de peixes. Nos povoados a montante de Barreiras, que ficam acima de onde o rio de Ondas deságua no Grande, já quase dentro da cidade, as águas baixaram muito mais ainda, claro.

Só ontem, dia 29 de setembro, as águas voltaram a fluir, restabelecendo parte de seu volume e, pela televisão, a Presidente do Comitê de Bacia do Rio Grande, Profa. da UFBA Joana Luz, esclareceu o incidente. Mas até esses momentos, o pânico se instalou na alma das pessoas. Que se sentiram totalmente abandonadas por suas autoridades, já que nenhuma, de qualquer esfera de poder, saiu a público para explicar o que estava sucedendo.

E disse a Profa. Joana: foi um erro que aconteceu, na hidrelétrica que está finalizando sua construção, no rio das Fêmeas. Fecharam 100% da vazão do rio, para encher a barragem, quando o previsto era só represar 30%.
Será mesmo que se pode fazer tamanho horror a uma população, que depende de seu rio?! Sem nenhum aviso, sem qualquer comunicação…

Quem é o responsável? Onde estão os responsáveis pela cidade? São responsáveis só para nos cobrar impostos?!

Quem quiser deixar seu protesto, o site da Neoenergia é http://www.neoenergia.com/ri/index.asp?m=pages_faleconosco

Veja mais fotos do Barramento do rio das Fêmeas pela firma Neoenergia e aspectos da Pequena Hidrelétrica

Comentários

  1. antonio sa teles disse:

    O fechamento em época em que o rio já está com a sua vazão muito reduzida, retirar 30% é um tremento absurso, veja lá fechar 100%.
    Os responsáveis devem ser responsabilizados severamente, para ficar como exemplo, não só a empresa proprietaria do empreendimento.

  2. Ana Barros disse:

    Antonio Sá Teles:

    Já estou vendo, os responsáveis sendo “punidos severamente”.

  3. ignez \pitta disse:

    A população se tranquilizou mais quando o Sr. João Bosco, Secretário do Meio Ambiente de Barreiras, apareceu na televisão, sendo entrevistado pela TV Oeste em frente ao rio Grande com bem pouca água, explicando que a empresa construtora da usina hifrlétrica, a Neoenergia, havia recebido licença para começar a encher o reservatório, fechando 30% da vazão do rio das Fêmeas EM DEZEMBRO, ÉPOCA DE CHUVAS, E NÃO AGORA. Que o procedimento fora embargado pelos órgãos ambientais e logo o rio Grande retomaria a sua vazão.
    Ontem, dia 02 de outubro, o Secretário de Meio Ambiente de São Desidério, município em que se situa a barragem, também deu entrevista à TV Oeste.
    Quantos peixes morreram no rio das Fêmeas?… E quanto stress, quanto pânico foi infligido à população ribeirinha?…

  4. Fátima disse:

    E AGORA VAI FICAR POR ISSO MESMO NINGUEM VAI SER PUNIDO,ENTÃO ELES VÃO VOLTAR FECHAR A VASÃO DO RIO NOVAMENTE, CADÊ A PREFEITA QUE DIZ CUIDAR DA CIDADE MÃE,É DESSE JEITO,TEMOS QUE FAZER ALGUMA COISA ISSO NÃO PODE SE REPETIR

  5. Adenilton disse:

    Revoltante!!Nem posso acreditar no tal fato…as autoridades ambientais e as secretaria de Meio Ambiente de São Desidério, e a Secretaria Executiva do Ibama em Barreiras???Pelo jeito não servem prá nada…agora imaginem o desrespeito com os Cerrados em todo o Espigão, onde nascem todos os rios do oeste da Bahia e o controle do uso da água na irrigação no período sem chuvas quem faz? O Ibama? E as construções irregulares às margens do rio de Ondas? Só pensar que nasci nas barrancas desse rio Grande e ver ele se definhando…acho que a população e os governantes tem que tomar alguma providência o mais urgente possível.

  6. isaac disse:

    Só fico pensando… O homem sempre quer mudar o que Deus faz. Tudo para ficar mais fácil e prático, querendo sempre estar com a razão. Eu fiz isso para melhorar a vida da população! Eles afirmam. Más no fundo, por traz disso tudo gera a (Ganância), e a (Cobiça), destruindo o que tem mais de perfeito. A NATUREZA. Desde que começaram a construir essa barragem, os peixes desaparaceram. Depois disso tudo… O que acontece agora??? Multa… Dinheiro vai trazer o que Deus Fez Perfeito?
    Sou só mais uma pessoa revoltado com o que acontece neste mundo.

    O sistema tomou conta de tudo e de todos. Kd a voz do POVO?

    Afinal… Até quando vamos viver assim?

    Esquece…

  7. ignez \pitta disse:

    Prezado Isaac
    Os peixes não desapareceram devido a essa barragem, que só encheu seu reservatório agora. Muitas espécies desapareceram há já alguns anos, devido à outra já construída no mesmo rio, mais acima desaa, que é a de Alto Fêmeas. O motivo do desaparecimento de espécies de peixes é que elas precisam de subir a correnteza do rio, até próximo às nascentes, para poderem desovar. Para isso, a hidrelétrica tem que ter, em sua construção, uma escada para a subida e descida dos peixes, que é um canal livre, corrente, com um rampa para que os peixes, na piracema, possam subir a correnteza rio acima, a fim de desovar. e façam o caminho de volta depois da desova. Se não houver essa escada para peixes, que já não foi feita na primeira hidreletrica no rio das Fêmeas, todos os peixes que necessitam dessa subida para desovar vão desaparecer.

  8. ignez \pitta disse:

    Prezado Adenilton
    O que seca os rios é o desmatamento, pois as águas das chuvas têm que penetrar no lençol d´água através dos poros que as raizes abrem ao penetrar na terra. Sem isso, a água penetra pouco, escorre sobre a superfície, causando erosão e enchentes e ainda levando a terra para os rios, o que vai entupindo seu leito. O assoreamento, que reduz o leito dos rios. Mas tudo na natureza é um conjunto, um sistema e essa agressão feita, em pleno período de seca, no auge do calor, a um rio caudaloso, como o rio das Fêmeas, próximo à fase da desova dos peixes, foi um prejuízo enorme à natureza, além de ter prejudicado também os projetos de irrigação que captam água no rio Grande.

  9. ignez \pitta disse:

    Ainda acerca da diminuição das águas do rio Grande, peço que olhem a sétima foto no título logo antes desse, “Fotos antigas de Barreiras”. Nela se vê o cais, antes da construção do parapeito ou balaustrada, então é uma foto tirada antes de 1950. Vemos ali vários meninos e rapazes pulando do cais para o rio, que encosta suas águas no paredão de pedras do cais. Hoje, se alguém pular, morre, pois as águas já diminuiram tanto, que deixaram uma larga fiaxa de terra, onde, inclusive, nasceram e cresceram muitas árvores.
    Um rio que era navegável, hoje não tem mais volume de água, em tempo de seca, nem para uma barca.

  10. Alex Abreu disse:

    Precisamos ver esse acontecimento com o nosso Rio Grande como uma experiência avassaladora e nos lembrarmos que temos o Rio de Janeiro com nossas cachoeiras, o Rio Branco e o Rio de Ondas também jogados ao “DEUS dará”. Dona Ignez parabéns pela sua luta em prol da nossa história e em defesa pelas coisas da nossa Barreiras, fizemos a nossa parte, corremos atrás e produzimos um vídeo que está na internet inclusive com duas fotos do seu acervo, quem quiser acessar procure o nick no YOUTUBE: RIO GRANDE SOS BARREIRAS ou no link http://www.youtube.com/watch?v=ivsmetfka0o .

  11. ignez \pitta disse:

    Prezado Alex
    Seus vídeos são impressionantes, principalmente o quadro do peixe debatendo-se nas pedras.
    E ainda pior é pensar que as duas hidrelétricas do rio das Fêmeas não incluiram, em sua construção, a “escada para peixes”, que é um canal em rampa, para os peixes poderem subir o rio, na época da piracema, a fim de desovar. Sem isso, a barragem barra totalmente a subida dos peixes, causando assim o desaparecimento das espécies que só desovam se fizerem esse trajeto em direção às nascentes do rio. Aqui já se registram diminuição e fim de algumas espécies.
    Seria importante deflagrar uma campanha sugerindo às pessoas enviarem e-mails à Neoenergia, exigindo essa construção.

  12. Zeca Pereira disse:

    O menino do cais

    Na mente de um poeta
    Há lembranças imortais
    Como o menino do cais
    Que corria e brincava
    Era um garoto sadio
    Nas margens de um rio
    Que tanto lhe encantava.

    Os seus olhos contemplavam
    Uma beleza tamanha
    Do grande rio que banha
    A cidade de Barreiras
    No oeste da Bahia
    Onde a gente aprecia
    Seus rios e cachoeiras

    Correndo a beira do cais
    Exposto ao sol quente
    Na água transparente
    Saciava a sua sede
    E quando queria pescar
    Tratava de improvisar
    Com pedaçinho de rede.

    Às vezes até uma garrafa
    Com um furinho no centro
    Colocava farinha dentro
    E na água arremessava
    Seu fôlego era bastante
    Pra pega-la todo instante
    Pois era assim que pescava.

    A garrafa com as piabas
    Era esse seu orgulho
    De tanto dá mergulho
    Tinha olhos como brasa
    Mas ele não importava
    Importante que levava
    As piabas para casa.

    Pular de cima do cais
    Era grande a diversão
    Ali não tinha poluição
    Só a água cristalina
    Refletindo sua imagem
    Por entre uma paisagem
    Como fez a mão divina.

    A cada final de tarde
    Para casa ele seguia
    E no raiar de cada dia
    A margem do rio estava
    Às vezes chegava cedo
    Trazendo um brinquedo
    E ao rio apresentava.

    Às vezes isopor, bóia
    Conhecida câmara de ar
    Assim aprendeu a nadar
    Usando os instrumentos
    Que deixava submerso
    E sentia o universo
    Dos seus descobrimentos.

    Lavadeiras pela manhã
    Iam lavar roupas no rio
    Época de chuva ou estio
    Sempre lá estavam elas
    Às vezes cantarolando
    E o menino brincando
    Bem ali no meio delas.

    Na outra margem do rio
    Viam-se os canoeiros
    Com seus braços ligeiros
    Retirando aquela areia
    Alva como diamante
    Tinha valor importante
    Aquela canoa tão cheia.

    Quem fosse pescar no cais
    Do menino percebia
    O seu olhar que seguia
    O arremesso do anzol
    Até uma bela fisgada
    Ou uma tarrafa jogada
    Em uma tarde de sol.

    Os meninos engraxates
    Cansados de trabalhar
    Ele chamava pra brincar
    Sempre no final do dia
    E pra ele a preferida
    Era a brincadeira “dida”
    A que mais lhe divertia.

    Quem ler esse meu cordel
    Talvez sinta saudade
    Pois ela o peito invade
    Trazendo a recordação
    Dum tempo que brincava
    E no rio grande pescava
    Sem haver a poluição

    Eu sim fui um desses
    Que brincava no seu leito
    E hoje eu sinto no peito
    Uma dor tão desmedida
    Sem canto das lavadeiras
    E as velhas brincadeiras
    Que marcaram a minha vida.

    Esse menino é apenas
    As lembranças da mente
    De um tempo diferente
    Que talvez não volte mais
    Mas torço que um belo dia
    Essa ou outra poesia
    Traga o menino do cais.

    Zeca Pereira.

  13. Ignez Pitta disse:

    Zeca Pereira
    Que lindo e inspirado cordel!
    Flui como a correnteza do rio, com a música da água limpa deslizando mansamente ou saltando, junto com os peixes, sobre as pedras. Refletindo o azul do céu, o verde das árvores e o arco-íris dos nossos sonhos e esperanças!
    Mas muitas nuvens escuras ameaçam o rio onde o Menino brincava: estão previstas para nossa região nada menos que 48 pequenas centrais hidrelétricas!!!… Sim, isso mesmo: por enquanto já são duas e olhe o estrago causado. Imagine mais 46!,,, Contra todas as leis brasileiras em vigor, essas duas foram construídas no rio das Fêmeas sem a escada para peixes, isto é, um canal em rampa, destinado à subida dos peixes, na piracema, que necessitam chegar às nascentes para desovar, descendo em seguida. Com a primeira, a Hidrelétrica de Alto Fêmeas, construída há mais de dez anos sem essa escada, já se registra a extinção de espécies no rio das Fêmeas. Agora, a segunda, construída abaixo, também sem a rampa para peixes, mais uma barreira se ergue, intransponível, para a subida da piracema. E as outras estão a caminho, para atacar outros rios, inclusive o rio de Ondas, que garante a nossa água de beber, em Barreiras! É a maior ameaça que nossa região já sofreu. Mas não precisa acontecer, se nós nos unirmos numa luta séria e bem organizada!
    Você é poeta, faça poesias! Lembra-se de Castro Alves, com seus poemas sobre os escravos, que tanto ajudou a concretizar a abolição do cativeiro? Temos que iniciar um movimento organizado em Barreiras e região, do contrário não restará um peixe! E os próprios rios, será que sobreviverão a 48 barragens de 48 pequenas centrais hidrelétricas, pertencentes a empresas alienígenas, como a Neoenergia, a quem só importa vender a energia produzida, sem se importar com os custos ambientais e humanos?! Por que não aproveitar a energia solar – com o sol brilhando intensamente todos os dias do ano em nossa terra? E outras fontes de energia já em uso em outros lugares?

  14. Zeca Pereira disse:

    O cordel: O MENINO DO CAIS, foi selecionado para a Antologia poética dos cordelistas do velho chico que será lançada em Serra do Ramalho-BA, em 27/ 07/12.

    http://zecacordel.blogspot.com.br/2012_06_01_archive.html

  15. Ignez Pitta disse:

    Que bom, Zeca! Parabéns ao Menino do Cais!
    Serra do Ramalho é nossa vizinha de região Oeste, fico feliz que esteja lançando um livro de cordelistas.
    Ignez

  16. Ignez Pitta disse:

    Zeca, estarei em Barreiras no próximo dia 26 de junho. Gostaria muito de encontrar com você. Minha casa fica na praça da Igrja de Santa Teresinha, é a segunda depois da Igreja, n° 166. Telefone 36 11 1667.
    Agradeço a sua mensagem,
    Ignez