nov 08 2011

O que é essencial

Publicado por Ignez Pitta às 3:06 PM em História Contemporânea

Toda a região Oeste festejou, com razão, a assinatura, pela Presidente Dilma, da criação da Universidade do Oeste da Bahia. Pessoas disseram: já temos aqui os cursos de Engenharia, com a UFBA, agora, com certeza, virá Medicina e afins, que são também essenciais. Viva! Que os anjos digam amém e venham logo as ciências médicas. Mas… só essas áreas são essenciais?

E as artes plásticas, a música, o teatro? Já diz a Bíblia: não só de pão vive o homem. E a nossa região está pobre de alma, de cursos universitários que privilegiem também o espírito, a sensibilidade, ou como lá quer que se chame a parte humana que aprecia e produz as atividades artísticas.

Logo no comecinho de Barreiras, pouco tempo após o município ser fundado, já existiam aqui atividades teatrais e de música, lideradas pela família Sampaio, principalmente pelo poeta Alfredo Sampaio e pelo maestro e compositor Antônio Sampaio. Em Barreiras havia o Grêmio Rui Barbosa, em cujas reuniões se estudavam textos e poemas de grandes autores, ao tempo em que os participantes eram convidados a ler suas produções. Os jornais semanais publicavam, além das notícias, textos literários  variados. Apresentações musicais e teatrais levavam à cena, no Cine Teatro Ideal (de que ainda existe o prédio, com o lindo palco) obras escritas por barreirenses, natos ou de adoção.

Pessoas já me responderam: quem é, aqui, que vai querer fazer curso de Música?? Amigos, vocês estão por fora: possivelmente pessoas como as que  já cursam Música nas escolas existentes em Barreiras. E aqui existem várias, como a Escola de Música Arte Maior, da Profa. Joseana Porto de Souza Matutino, barreirense da gema, como tantas outras, casada com um barreirense de adoção (Que essa capacidade do barreirense de acolher e abraçar o brasileiro de qualquer parte do Brasil e até pessoas de outros lugares do mundo é um dos nossos orgulhos).

Mas, voltando à música: Joseana, que descende de uma família proveniente de Catolândia, começou a estudar música em Barreiras, em 1990, no Instituto Antônio Carlos Gomes, da paulista Profa. Lourdes Zanin, que, tempos depois, devido à morte do marido, mudou-se de Barreiras.

Joseana se lembra de que sua madrinha Nereide tocava teclado e órgão, o que a encantava em criança, e ainda duas primas, em Braslia, tocavam piano. Começou a estudar piano e teoria musical com a professora de música Loudes Zanin, quando cursava o Magistério e o grande estímulo foi ser convidada por ela para dar aulas em sua escola de música. Formada professora, começou a lecionar em Barreiras, enquanto prosseguia os estudos de Música. Conheceu um professor em Eunápolis, que era filiado ao Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro e então Lourdes sugeriu-lhe que fosse a Eunápolis, fazer aulas com ele, a fim de receber o diploma. Então passou a  ir até  lá, para fazer provas teóricas, práticas e de percepção musical com a banca examinadora que vinha do Rio de Janeiro e onde se reuniam, com o mesmo fim, estudantes de várias partes da Bahia e até de Minas Gerais. O professor fazia a programação de músicas para a próxima prova, duas vezes ao ano.

De Barreiras a Eunápolis não havia transporte direto: tinha que ir para Itaberaba e de lá seguir. Enviava os exercícios de harmonia pelo Correio e a prova final teve a parte de teoria feita em Eunápolis e a prática no Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro, onde recebeu seu diploma de piano, em 2000.

Comprou seu piano através de um  consórcio, em 24 meses, e então Lourdes foi embora, indicando-a para substituí-la. Começou sua escola, com alguns alunos, na casa de seus pais, em seguida comprou outro piano, pois os alunos foram aumentando. Em 2005 comprou um terreno na rua Bolandeira, nº 559, no bairro Renato Gonçalves, e, ajudada pelo marido, Alex Sandro Matutino, com quem havia se casado em 1999, iniciou a construção da escola em 2006, inaugurando-a em 2007, quando começou  também a oferecer curso de violino, com o Prof. Martin Roca, argentino apaixonado por Barreiras. Em 2008 entrou outra professora de piano e teclado, Cátia Dourado, tendo, em 2009, iniciado o curso de guitarra com o Prof. Martin Roca.

A escola tem uma média de 50 alunos e anualmente faz uma apresentação ao público, em novembro.

Quem vai querer estudar música em Barreiras?!… Se com tantas dificuldades e viagens a Eunápolis e ao Rio de Janeiro, a Joseana conseguiu estudar e obter seu diploma, pensem aí como será quando a Universidade do Oeste da Bahia abrir as portas de seu Instituto de Artes?

Um comentário

Um comentário to “O que é essencial”

  1. Ana Barroson 19 nov 2011 at 12:05 AM

    “Quem vai querer estudar música em Barreiras?”

    Com certeza, a pessoa que fez essa pergunta desconhece a veia musical do povo barreirense.

    Quem nesse mundo consegue viver sem poesia? Pessoas que não apreciam o belo, jamais poderão entender as Palavras do Criador, os versos de Davi e tantos outros.

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