jun 11 2010
A Urbanização de Barreiras – II
No livro Província da Bahia, publicado em 1888 por Durval Vieira de Aguiar, após percorrer todo o Estado, falando de Barreiras, que era ainda um simples povoado do município de Campo Largo, o autor destaca a produção da borracha de mangabeira, a agroindústria da cana de açúcar e comenta que o seu porto era o lugar mais barulhento.
O autor chama a atenção também para os recursos naturais existentes na região e que favoreciam a sua colonização, pois oferecia, com abundância, tudo de que se necessitasse para a construção de casas, como barro, (apropriado para a fabricação de tijolos e telhas), calcário, (com que se produzia a cal, outro elemento indispensável para fazer a argamassa), madeira de lei (necessária para a armação do telhado).
Esses elementos essenciais, foram, assim, utilizados desde o início do povoamento de Barreiras, para a construção de casa comuns e imponentes sobrados neoclássicos, visto que o povoado já nasceu rico: por volta de 1870, com a intensa imigração, principalmente oriunda da Chapada Diamantina, de Barra e outras cidades são-franciscanas, como Remanso e Chique-Chique, e dos outros estados do Nordeste, atraídos pela produção e a exportação para o estrangeiro, da borracha de mangabeira, que tinha valor equivalente ao ouro.
Ainda havia o próprio ouro, que, produzido no nordeste de Goiás, (atual Tocantins), em Natividade, Dianópolis (antigo Duro), era escoado através de Barreiras, deixando grandes lucros aqui, para os comerciantes que o adquiriam para revender.
Outro fator de riqueza foram os diamantes garimpados em Gilbués, no Piauí, também escoados para os grandes centros através do porto de Barreiras. Sobre os diamantes, temos, no Museu Municipal, livros contábeis, já do século XX, de uma empresa pertencente ao Sr. Carlos Irineu da Rocha, apelidado Carrim Vieira, pai de Lélia Rocha. Nesses documentos vêem-se a aquisição dos diamantes, em Gilbués, PI; o pagamento, lá, de impostos, bem como o pagamento, em Barreiras, na exportação para o Rio de Janeiro, dos impostos na Coletoria Federal, ao tempo do Sr. Moysés Carneiro, de quem muitos barreirenses ainda se lembram.
Daqui os diamantes iam para o Rio de Janeiro e é certo que deixavam bons lucros nas mãos do Sr. Carrim Vieira, pois os documentos contábeis atestam a longa duração da sua empresa. Podemos imaginar a cadeia produtiva dos diamantes, desde o trabalho pesado e perigoso dos garimpeiros, o empenho dos compradores, a aquisição pelo Sr. Carrim, a longa viagem a cavalo desde o Piauí a Barreiras, e o também longuíssimo percurso hidro-ferroviário de Barreiras ao Rio de Janeiro.
Todos esses eram elementos de enriquecimento que traziam mais imigrantes para Barreiras, além do potencial da agropecuária. E atraíam também exímios pedreiros, capazes de fazer esculturas geométricas em cal traçada, para ornamentos dos majestosos sobrados. Já as estátuas clássicas que encimam, ainda hoje, muitas dessas casas, vinham de Salvador, feitas por artistas, e sua chegada era até registrada nos jornais locais. Claro que também houve os grandes carpinteiros, cuja memória se liga à construção das estruturas dos telhados e dos sobrados.
Ao mesmo tempo em que pessoas simples iam também ganhando o suficiente para construir suas casas, formando as ruas e praças. Um núcleo que se manteve mais ou menos homogêneo até o início da década de 1980, quando o ciclo imigratório para a ocupação e cultivo do cerrado fez Barreiras crescer em novo e até então desconhecido ritmo.




