jun 05 2010

Urbanização de Barreiras BA

Publicado por Ignez Pitta às 11:01 PM em História

O Brasil foi descoberto na Bahia e a partir do seu litoral iniciaram-se as entradas ao interior, penetrando a princípio através dos rios que desaguavam no oceano. Os desbravadores buscavam metais e pedras preciosas, bem assim terras férteis e dotadas de chuvas regulares e bacias hidrográficas perenes, que foram encontrar principalmente às margens do rio São Francisco e seus afluentes, já que mais de 50% do território baiano acha-se situado no polígono das secas. Com sementes e gado, trazidos das ilhas Canárias e Cabo Verde, foram instalando fazendas à beira desses cursos d´água, tanto que, no Brasil colonial o São Francisco era apelidado de “rio dos currais”.

Na nossa região, à margem esquerda do São Francisco, em 02 de dezembro de 1698, tanto vicejavam as fazendas, que o rei de Portugal, D. Pedro II, assinou uma carta dirigida ao Governador Geral do Brasil, D. João de Lancastre, ordenando que instalasse arraial, para dar proteção aos povoadores, em suas fazendas de gado, citando a lagoa de Parnaguá (hoje, no Piauí), o rio Preto, que deu origem a Santa Rita de Cássia; o rio Grande, onde se criou Campo Largo, atual Taguá, distrito de Cotegipe; o rio São Francisco, fazendo surgir Barra, onde o rio Grande deságua no São Francisco. Também foi criado Pilão Arcado, à margem do São Francisco, que hoje pertence à região norte da Bahia. Por força dessa carta régia, toda a área à esquerda do São Francisco, que se convenciona chamar Oeste baiano, assim como a parte norte, (futuro estado do rio São Francisco) em 1700 foi elevada à condição de distrito de Cabrobó, Pernambuco, com sede em Barra, iniciando-se desse modo a institucionalização da região, com a criação de cargos governativos, sendo o primeiro o de juiz. A carta régia que deu origem à urbanização da área em estudo vinha sendo solicitada há mais de 20 anos pelos habitantes de Barra e foi o ponto de partida para o desenvolvimento e criação dos municípios que evoluíram a partir dos primeiros arraiais.

O homem que colonizou a área em questão e o boi que ele trouxe eram acostumados há milênios a comer sal, motivo porque a primeira atividade laborativa da região foi o aproveitamento comercial das extensas salinas. Desde o atual município de Casa Nova, no limite com Pernambuco, até Campo Largo, a produção de sal foi a primeira riqueza a ser exportada, para a Chapada Diamantina, Minas Gerais e Goiás, gerando um próspero comércio, ao par da agropecuária.

Situada a 80 km acima de Campo Largo, Barreiras era o último porto no rio Grande, próximo de Goiás e, durante anos, foi apenas o entreposto comercial, aonde os fazendeiros locais e os goianos, produtores também de ouro, iam adquirir produtos industrializdos nas barcas que chegavam de Juazeiro, na Bahia e Pirapora, Minas Gerais, exportando também sua produção. O núcleo urbano primeiro foi o Buracão, atualmente chamado Arraial da Penha, situado a 10km ao sul de Barreiras. Mas a partir de 1870, com a industrialização estabelecendo-se em vários países, houve necessidade de borracha, produzida pelo látex da seringueira, na Amazônia e da mangabeira, na nossa região. Desse modo, surgiu um forte ciclo migratório direcionado à produção da borracha de mangaba, que vicejava nos cerrados, estabelecendo esses imigrantes as suas moradias ao redor do porto, no rio Grande, formando-se o povoado de São João, depois chamado pelos goianos São João das Barreiras, devido às barreiras de pedras que impediam a navegação de prosseguir muito acima do porto.

O preço da borracha de mangaba equivalia ao do ouro, e isso atraía cada vez mais imigrantes, não só os mangabeiros, mas pessoas de variadas profissões: médico, dentistas, farmacêuticos, professores, escritores, poetas, músicos, pedreiros-construtores de belas casas coloniais… Assim, com apenas 20 anos o povoado de São João, já chamado apenas de Barreiras, pleiteou e obteve sua emancipação política, através da lei estadual, nº 237, de 06 de abril de 1891, sendo instalado a seguir, em 26 de maio de 1891.

Suas primeiras casas foram construídas frente a um alto barranco, para evitar inundações, que constituem hoje a rua do Humaitá, sendo o porto inicialmente no terreno pertencente à UFBA, (Padre Vieira), com uma extensa rampa, a fim de descarregar as mercadorias. Em seguida, com o crescimento urbano, foi o porto deslocado para a curva do rio, num local baixo, apropriado para as rampas de carrego e descarrego, vizinho a um barranco bem extenso e elevado, onde as casas foram construídas, livres de inundções. Com seu crescimento acelerado pelo contínuo fluxo imigratório e pelas vantagens de ser entreposto comercial, a sede do município, que, naquele tempo recebia o título de vila na hora da emancipação, com 11 anos foi elevada à condição de cidade, por já haver atingido o número de habitantes e de casas exigido à época. A categoria de cidade que Barreiras recebeu com apenas 11 anos de emancipada, através da lei nº 449, assinada em 19 de maio de 1902, só era atingida pelos municípios baianos por volta de 50 ou mais anos de emancipação.

Além da borracha, outras riquezas eram representadas pelo algodão e pela agroindústria da cana de açúcar, além da produção de mamona, cereais, farinha de mandioca e da pecuária.

Casamento de Arlene e Joao Rocha no Arraial da Penha - década 1960

5 comentários

5 comentários to “Urbanização de Barreiras BA”

  1. Cleideon 22 fev 2011 at 10:48 PM

    Parabéns Inês Pita, você é demais, são histórias de Barreiras que os estudantes
    deveriam pesquisar mais, conhecer melhor.

  2. Brunaon 01 mar 2011 at 8:16 PM

    Que legal eu queria ter vivido esses tempos tranquilos!!!!

  3. juvenalon 23 mar 2011 at 9:55 PM

    Sou filho de Jesulindo Regis e Armanda Monteiro Regis, sou nascido na fazenda Vergel proximo ao Arraial da Penha quando vi essa foto me emocionei sei que algumas pessoas que estão nesta foto eu conheço principalmente os mais novos,parabéns aos que buscaram através do tempo deixar algo tão maravilhoso da minha história,da nossa história.

  4. ignez pittaon 24 mar 2011 at 12:11 AM

    Cleide, a nossa história é dedicada a todos os barreirenses, mas aos estudantes de forma especial, para que eles vejam que são herdeiros de um passado glorioso, de trabalho e realizações, que devem prosseguir.

    Bruna, esses tempos eram tranquilos, mas havia muitas carências, principalmente de saúde e educação. Então pensemos que atualmente há mais oportunidades para todos, principalmente agora, que a UFBA abriu seu campus em Barreiras, oferecendo muitos cursos, além das outras fculdades e da UNEB. Mas é claro que a prosperidade de hoje repousa no esforço dos pioneiros, que, com muitos menos condições, criaram uma civilização de prosperidade.

    Juvenal, conheço sua família e amo o Arraial da Penha. Ele é citado, como grande produtor de rapadura e cachaça no livro Província da Bahia, editado antes de Barreiras ser emancipada! O livro também elogia a fecundidade de suas terras! A foto, realmente, não saiu com nitidez, a ponto de você reconhecer as pessoas. Mas tenho o original, você vindo aqui, posso mostrar-lhe. Essa linda igreja do Arraial da Penha é a mais antiga de Barreiras e agora soube que sofreu um desabamento na parte de trás, com a chuva.

  5. juvenalon 29 mar 2011 at 9:53 PM

    É verdade, a igreja está passando por uma reforma, minha mãe chegou de lá pouco tempo e comentou o assunto, o Arraial continua o mesmo só os habitantes que estão reduzidos,os mais jovens preferem Barreiras,eu sei que tenho muito orgulho de toda essa gente e de toda essa terra.Parabéns mais uma vez por esse resgate da história de nossa gente,do nosso passado.

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