“A dor… Que é a dor?
Um mar. E a alegria?
Pérola oculta nesse mar fremente.
E quantas vezes a pérola encantada
Se dissolve lentamente, sepultada
E nunca chega a ver a luz do dia.”Aprendi essa pequena poesia ainda no curso primário. Linda e perigosa, porque justifica o pessimismo sem luta para alcançar a superação da dor. Nada mais diferente do que foi a vida de Mãe Dadá, marcada por grandes sofrimentos, mas em que ela jamais se entregou ao desespero ou à depressão, sempre com uma fisionomia serena, buscando na própria vida os meios para viver plenamente.
Enfrentou duras lutas, sofreu a dor da perda do esposo Custódio Moreno e de muitos filhos ainda jovens, sem jamais tornar-se amarga, cultivando a esperança e várias atividades que, às vezes, pareciam superar suas forças.
Dizem que a depressão é o mal da nossa época, por isso a figura de Mãe Dadá era uma inspiração para todos os que com ela convivíamos, pois, conseguir sair de si mesmo para encontrar e acolher o outro, além de um exercício de solidaredade, representa um bálsamo, um milagroso remédio para a própria alma.
D. Edelvira Wanderley Moreno nasceu em Angical e fazia parte da família Wanderley, do famoso Barão de Cotegipe, João Maurício Wanderley, natural de Barra, que foi, ao tempo do Império, a primeira pessoa da nossa região a se destacar em nível nacional. Gozava da mais plena confiança do Imperador D. Pedro II, havendo sido seu auxiliar direto, como Ministro de várias pastas, além de amigo e conselheiro da Princesa Isabel. Dr. Geraldo Rocha tem igualmente a mesma descendência, pelo lado dos Mariani. Por isso, eu muitas vezes pensava, acompanhando já no fim da vida de Mãe Dadá, se o seu espírito empreendedor, e a capacidade de luta e determinação em superar as limitações e dificuldades, se esse carisma não teria origem genética.
O certo é que Mãe Dadá, casada com o Sr. Custódio Moreno, com quem teve numerosos filhos, morando, a princípio, numa fazenda da Sertaneja, onde seu esposo trabalhava, dirigia todos os seus esforços para conseguir proporcionar educação e amplos horizontes a seus filhos. O primeiro, Lavaniere, conhecido como Vanerinho, foi estudar Medicina em Salvador, acolhido pelo grande barreirense, Deputado Juarez Souza. Imaginemos a felicidade de Edelvira e Custódio quando Vanerinho se formou médico! E foi só o início, pois os outros seguiram seus passos, conquistando diplomas universitários, ou de magistério, algumas filhas, no Colégio Padre vieira, em Barreiras.
Com mais de 80 anos, escreveu um livro, sua autobiografia, que é um relatório, em linguagem afetiva, principalmente, da força com que encarou e lutou com os sofrimentos e obstáculos da vida. Sua última dedicação, fora da família, foi à Academia Barreirense de Letras, fundada em sua casa e onde se realizaram muitas reuniões. Seu carisma a levava até a fazer viagens para participar de reuniões, tal como em Santa Rita de Cássia e Riachão das Neves. Quando, nos últimos meses, a limitação da idade quase a impedia de andar, acolheu com júbilo a idéia de que as reuniões acadêmicas fossem todas realizadas em sua residência, a fim de que pudesse estar presente!
O mais comovente, porém, era o seu coração aberto, a mesa farta, acolhendo filhos, netos, bisnetos e amigos, sempre dedicando atenção a todos. Cuidando e ajudando, como no meu próprio caso: quando estava na fase de coletar patrocínios das empresas para cobrir a publicação do meu livro, “Barreiras, uma História de Sucesso” , emocionei-me porque Mãe Dadá, que não era empresária, chamou-me para colaborar com R$ 50,00, o que me deu uma verdadeira injeção de ânimo, naquela hora de cansaço.
Exemplo de luta, de determinação em não se entregar diante da dor, mas, sim mergulhar fundo e conseguir resgatar a pérola encantada da alegria, que brilhava sempre em sua face, com um reflexo da procura por Deus, que foi outro pilar em sua vida.
Quase noventa e seis anos de amor, de fé, de alegria e dedicação generosa à família e amigos! Chegou a hora de descansar no seio do Pai. Fica-nos o seu maravilhoso exemplo, Mãe Dadá!


Cara Ignez, a alguns dias lhe escrevi sobre a familia moreno de Angical, e agora vistitando sua pagina como de costume, me deparo com a triste noticia do passamento da ilustre senhora Edelvira Moreno, fiquei bastante comovido e tambem pensativo sobre a possibilidade de esta distinta senhora poder ter se casado com um dos morenos que eram meus parentes, a senhora acredita nessa possibilidade, e mais como eu poderia adquirir o livro dela? grande abraço… sempre grato, Wanderson Barbosa.
Prezado Wanderson
Não lhe respondi ainda, porque não consegui referências. Mãe Dadá, filha de Angical, era Moreno por haver se casado com Custódio Moreno, de Barreiras. Seu sobenome era Wanderley, compartilhado por muitas famílias da nossa região, principalmente de Angical, Cotegipe e Wanderley.
Estou, no momento, em Petrolina PE, mas quando retornar a Barreiras, continuarei perguntando às pessoas. O livro dela é muito interessante, mas está esgotado. Talvez em xerox?
Ignez
Cara Ignez, a senhora supera com sua presteza todos os desabores que minha busca tem trazido a minha’ma, fico felisíssimo com suas respostas, creio que os Morenos de minha familia podem ter vindo dessa regiao de Barreiras, pois pouco sei sobre eles aqui em Goias e o Cartorio de Angical tem tardado na resposta as buscas que pedi, contudo lhe garanto que quando eu conseguir escrever essa historia dos Caetano Moreno em Goiás o nome de Ignez Pitta sera lembrado com certeza..
Com imenso encantamento, Wanderson barbosa.
P.S. Gostaria ainda que em cópia do livro da senhora Edelvira.
Querida Ignez:
Mãe Dadá para mim é flor na terra que ao anoitecer se transforma em estrela no céu.
Ela é minha tia eu nasci em brasília e morei em Barreiras 2 anos
Não sei se é verdade ou não, mas fiquei sabendo aos 40 anos de idade que sou neta dela. Isso foi meses antes do meu suposto pai falecer “Lavaniere”. Foi-me entregue por minha mãe o livro da auto-biografia da mãe Dadá e a noticia de quem seria meu pai biológico. Cheguei a entrar em contato com ele (Lavaniere) e Karine minha suposta irmã, por quem criei certa afeição.
Bom, só relatei estes fatos para explicar o porque de uma desconhecida estar comentando.
Só fiquei sabendo agora do seu falecimento e quero dizer que fiquei profundamente sentida apesar de não a ter conhecido pessoalmente, sentia profunda afeição por ela. (Talvéz o sangue puxe. Não é?
Sandra.