jun 01 2009
A aventura do desbravamento do sertão paranaense pela Companhia Braviaco, segundo Joaquim da Rocha Medeiros
Texto escrito por Victor Garcia Miranda, da Universidade Estadual do Paraná, e gentilmente cedido pelo autor para publicação no site História de Barreiras.
Às margens do Rio Paranapanema (no lado paranaense) com datação da década de 1920, iniciaram-se os primeiros empreendimentos modernos na região noroeste paranaense. O objetivo: construir uma grande e produtiva fazenda de café. Os personagens: os corajosos agrônomos Landulpho Alves (posteriormente governador da Bahia) e Joaquim da Rocha Medeiros, cerca de seis mil trabalhadores migrantes e o empreendedor Geraldo Rocha, responsável pela Companhia Brasileira de Viação e Comércio – Braviaco. Eis que, sob todas as barreiras impostas pelas dificultosas condições de acessibilidade e estabelecimento, os investimentos da Braviaco começaram a florescer no ermo e aventuroso sertão paranaense. O depoimento de Joaquim da Rocha Medeiros lastreia a narrativa abaixo.
Os primeiros capítulos dessa história se desenrolaram na base da luta. Por volta de 1923, Joaquim da Rocha Medeiros iniciou a abertura de um picadão, com dez metros de largura por sessenta quilômetros de extensão, na região mais nova da área de penetração paulista: o Pontal do Paranapanema, ao sul de Presidente Prudente-SP. Medeiros trabalhava naquela época para a empresa Alves de Almeida & Cia. e procurara estabelecer naquela empreitada o chamado “Porto Itaparica” em uma gleba de terras de 20.000 alqueires nas margens do Paranapanema. O desbravar do noroeste paranaense começava a ser ensejado.
Em junho de 1924, Medeiros assume uma outra missão. O empresário Geraldo Rocha, dono do jornal “A Noite” no Rio de Janeiro e o responsável pela empresa de transportes ferroviários Brazil Railway e pela Companhia Braviaco (subsidiária da anterior) confia-lhe uma missão em que visara transformar significativamente o “perobal” da floresta nativa em extensos e produtivos cafezais. Uma equipe era mobilizada, em Presidente Prudente, com os necessários meios para o avanço em território paranaense.
O lugar de pertencimento da Braviaco começava na margem paranaense do Rio Paranapanema e se estendia até a margem direita do Rio Ivaí (atualmente, município de Paranavaí-PR), numa extensão de 108 quilômetros. Limitava-se a leste com a terra de ingleses (hoje, região de Maringá-PR) e a oeste com terras devolutas reservadas a futuros empreendimentos da própria Braviaco. Chamara-se “Gleba Pirapó” e os anseios para que ali se produzisse café eram imensos.
As definições, então, foram estabelecidas no elenco que se dirigira ao local do estabelecimento. A direção dos trabalhos, sob a tutela de Landulpho Alves e a supervisão dos serviços de campo com Medeiros programaram o seguinte: derrubada da mata, plantio, formação do cafezal e demais serviços afeitos à organização de uma propriedade rural. A esses serviços, Landulpho e Medeiros revezavam em idas e vindas a São Paulo para a realização de tarefas.
Na chegada ao local as batalhas com os grileiros foram duras. Eles tentaram com grupos armados tomar posse em diversos pontos da margem do Rio Paranapanema. A Medeiros coube, por mais de uma vez, ir até Curitiba e, como sub-delegado que era do recém criado distrito judicial de Montóya, requisitar força para desalojar os grileiros invasores.
Vencida a etapa da invasão, deu-se inicio à construção da estrada de rodagem, toda ela em plena mata, até a barra do Rio Ivaí. Seguira-se então o transporte de uma serraria com todos os seus implementos, inclusive motor a vapor de cinquenta HP e uma respectiva caldeira; uma frota de vinte caminhões e ajudantes mateiros. A derrubada deveria dar suporte para o plantio de um milhão e duzentos mil cafeeiros; colônias, sede administrativa e ainda cerca de cem alqueires de pastagem de capim colonião para a manutenção das boiadas que seriam trazidas de Mato Grosso. Fora também construída uma estrada de rodagem ligando a fazenda ao Porto São José (divisa com o Mato Grosso) de cerca de cem quilômetros de extensão. Uma infra-estrutura predial e de maquinários que constituíram bens de capital que rareavam em ser encontrados pelo interior do Brasil.
Em seguida ao alinhamento e plantio do café, era chegado o momento do transporte das famílias dos nordestinos para a sua formação. Centenas de famílias chegaram em trem especial até Presidente Prudente. Na primeira chegada na cidade paulista, estava chovendo torrencialmente, chuva que durou quarenta dias e quarenta noites (um verdadeiro dilúvio, nas palavras de Medeiros). Por sorte havia a nove quilômetros da cidade dois grandes galpões para criação de bicho da seda abandonados e mais outras coberturas desocupadas onde foi possível acomodar todo o pessoal. A estrada era de terra e atravessava o rio Santo Anastácio, cuja ponte de madeira foi por água a baixo. Cessadas as chuvas tiveram que reconstruir a ponte e de fazer cerca de nove quilômetros de estiva para poderem transpô-la até a área do cerrado. Para se alcançar a fazenda, atolando e desatolando carro, levou-se quase uma semana.
As construções das casas não foram simples e rápidas. Embora já funcionando a serraria, trezentas casas e demais benfeitorias iniciais não poderiam ser feitas em poucos meses e sim em um ou dois anos. Por isso, ao chegar, cada família tratou de fazer seu próprio rancho, onde, por muito tempo, habitaram. À medida que se terminava a construção de uma casa era feito sorteio para ver a quem cabia, evitando-se, desta forma, o sentimento de preferências. Uma espécie de rústica diplomacia rural, segundo Medeiros, constituía-se em pedra de toque da administração, para manter o bem estar do que chegara a seis a sete mil administrados! (outra providência salutar fora a proibição da entrada de álcool ou de qualquer bebida alcoólica na região).
Toda a organização correra muito bem, relata Medeiros, mas eis que sobreveio a Revolução de 1930. Geraldo Rocha havia combatido a Revolução e defendido a candidatura de Julio Prestes. Ao vencer a revolução, um dos primeiros atos do governo revolucionário do Paraná foi cassar o titulo de propriedade da Gleba Pirapó, quiçá de todos os bens da Brazil Railway, disso resultando a suspensão do financiamento aos serviços da Fazenda. A falta de gasolina não permitia mais transporte e a tragédia se verificou: colonos e funcionários da empresa tiveram que se retirar a pé, andando duzentos e vinte quilômetros, perdendo todos os seus haveres.
Como relata Medeiros: “Essa tragédia foi por mim vivida ao lado de minha família. Comigo também estava, com sua família o meu saudoso colega que era o Diretor Geral do empreendimento (sr. Landulpho Alves). Assim se desfecha o empreendimento de Geraldo Rocha no noroeste paranaense.
Bibliografia:
SOARES DA SILVA, Paulo Marcelo. “História de Paranavaí”. Prefeitura Municipal de Paranavaí, S/D.
Texto escrito por Victor Garcia Miranda, Universidade Estadual do Paraná
isso e muito interessante para nos que somos muito burros mas isso fala sobre o sertao brasilero mas nunca deixa de ser um comentario muito ironico!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!