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	<title>Comentários sobre: Ciclo do Ouro &#8211; II</title>
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	<description>por Ignez Pitta</description>
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		<title>Por: camila</title>
		<link>http://www.historiadebarreiras.com/personagens-barreirenses/ciclo-do-ouro-ii/comment-page-1/#comment-1006</link>
		<dc:creator>camila</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Aug 2011 16:09:00 +0000</pubDate>
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		<description>Nas primeiras décadas do século XX, eram tão atrativos os garimpos de Goiás, que se tornou comum saírem da nossa região (a cavalo, que era o único meio de transporte), até famílias inteiras, pois o pai ia correndo atrás do sonho de “bamburrar”, isto é, achar uma enorme pepita e ficar rico em pouco tempo. Outros homens deixavam a família para trás e viajavam sozinhos, às vezes para nunca mais voltar… E aqui ficavam as viúvas e órfãos do ouro!

A verdade é que não sei de ninguém que “bamburrou”, mas sim, me lembro de que em 1948, quando Sabino Dourado tomou posse como Prefeito de Barreiras, mandou buscar, num garimpo goiano, o barreirense Sr. Cornélio Araújo, com seus familliares, pois necessitava de seu trabalho na contabilidade da Prefeitura, e aí, sim, foi Barreiras quem bamburrou, com o retorno daquele filho pródigo, que foi, até o fim da vida, um excelente funcionário municipal e cidadão exemplar!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Nas primeiras décadas do século XX, eram tão atrativos os garimpos de Goiás, que se tornou comum saírem da nossa região (a cavalo, que era o único meio de transporte), até famílias inteiras, pois o pai ia correndo atrás do sonho de “bamburrar”, isto é, achar uma enorme pepita e ficar rico em pouco tempo. Outros homens deixavam a família para trás e viajavam sozinhos, às vezes para nunca mais voltar… E aqui ficavam as viúvas e órfãos do ouro!</p>
<p>A verdade é que não sei de ninguém que “bamburrou”, mas sim, me lembro de que em 1948, quando Sabino Dourado tomou posse como Prefeito de Barreiras, mandou buscar, num garimpo goiano, o barreirense Sr. Cornélio Araújo, com seus familliares, pois necessitava de seu trabalho na contabilidade da Prefeitura, e aí, sim, foi Barreiras quem bamburrou, com o retorno daquele filho pródigo, que foi, até o fim da vida, um excelente funcionário municipal e cidadão exemplar!</p>
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		<title>Por: camila</title>
		<link>http://www.historiadebarreiras.com/personagens-barreirenses/ciclo-do-ouro-ii/comment-page-1/#comment-1005</link>
		<dc:creator>camila</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Aug 2011 16:07:49 +0000</pubDate>
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		<description>E aí chegava a vez do transporte: em navio a vapor até Juazeiro BA e de lá, no trem de ferro Maria Fumaça, levado por um funcionário da empresa em Juazeiro, até Salvador. Isso por anos a fio. Mas o pote vai tantas vezes à fonte, que um dia quebra…

E eu sendo já adulta, meu pai me contou que embalava o caixote de madeira em que iam as barras de ouro, colocando-o ao centro de um caixão grande, também de madeira, carregado de bananas (Barreiras exportava alimentos, frutas, inclusive), que era todo lacrado com pregos e entregue pessoalmente ao Comandante do vapor. Mas um dia, estando fazendo essa embalagem do ouro em uma sala de acesso restrito da empresa, de repente entrou porta adentro o timoneiro do vapor, que na bacia do São Francisco era chamado de prático, e, aparentando muita amizade, começou a falar pelos cotovelos, puxando um assunto após o outro…

Meu pai, a princípio, parou o que estava fazendo, mas logo, logo o vapor iria zarpar… O prático continuava com a conversa de cerca Lourenço e ele foi “obrigado” a prosseguir e concluir a embalagem da preciosa carga, pois naqueles bons tempos as pessoas eram muito gentis, não podiam fazer uma desfeita a alguém que os visitava, querendo só jogar conversa fora…</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>E aí chegava a vez do transporte: em navio a vapor até Juazeiro BA e de lá, no trem de ferro Maria Fumaça, levado por um funcionário da empresa em Juazeiro, até Salvador. Isso por anos a fio. Mas o pote vai tantas vezes à fonte, que um dia quebra…</p>
<p>E eu sendo já adulta, meu pai me contou que embalava o caixote de madeira em que iam as barras de ouro, colocando-o ao centro de um caixão grande, também de madeira, carregado de bananas (Barreiras exportava alimentos, frutas, inclusive), que era todo lacrado com pregos e entregue pessoalmente ao Comandante do vapor. Mas um dia, estando fazendo essa embalagem do ouro em uma sala de acesso restrito da empresa, de repente entrou porta adentro o timoneiro do vapor, que na bacia do São Francisco era chamado de prático, e, aparentando muita amizade, começou a falar pelos cotovelos, puxando um assunto após o outro…</p>
<p>Meu pai, a princípio, parou o que estava fazendo, mas logo, logo o vapor iria zarpar… O prático continuava com a conversa de cerca Lourenço e ele foi “obrigado” a prosseguir e concluir a embalagem da preciosa carga, pois naqueles bons tempos as pessoas eram muito gentis, não podiam fazer uma desfeita a alguém que os visitava, querendo só jogar conversa fora…</p>
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		<title>Por: camila</title>
		<link>http://www.historiadebarreiras.com/personagens-barreirenses/ciclo-do-ouro-ii/comment-page-1/#comment-1004</link>
		<dc:creator>camila</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Aug 2011 16:07:09 +0000</pubDate>
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		<description>Daí a pouco tempo o vapor partiu, para ir passar a noite no porto de São José, em Riachão das Neves. No dia seguinte meu pai recebe um telegrama do Comandante, (no tempo da navegação a vapor havia telégrafo em todos os portos), informando que, durante a noite, o vapor havia se soltado e afundado no meio do rio, sendo necessária a ida de mergulhadores experientes para resgatar o caixote do ouro. Chegando lá, meu pai assistiu ao Comandante explicar onde se achava o caixão que os mergulhadores deveriam rebentar, para salvar o caixote do ouro e também viu, consternado, o retorno deles, informando que o caixão já estava rebentado e caixote… me livre, necas de pitibiribas! Meu pai lembrou-se do prático: cadê o homem? ninguém sabe, ninguém viu! E os mergulhadores desceram de novo, dessa vez encarregados de procurar outra coisa, que facilmente encontraram: o rombo feito pelo prático no casco do vapor!

Esse foi o único prejuízo, num mercado tão seguro para os padrões daquele tempo, mas onde um homem, que não era da nossa região, na ânsia de apoderar-se de vários quilos de ouro, foi capaz de violar os códigos de honra… Meu pai dobrou as precauções na hora da embalagem da mercadoria e nenhum outro problema ocorreu até esgotarem-se os garimpos de Goiás, extinguir-se a navegação, a própria empresa… Mas você ainda pode ver, usado pelas barreirenses, um lindo peixe de ouro ou um típico crucifixo de Goiás, comprados por seus pais ou avós…</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Daí a pouco tempo o vapor partiu, para ir passar a noite no porto de São José, em Riachão das Neves. No dia seguinte meu pai recebe um telegrama do Comandante, (no tempo da navegação a vapor havia telégrafo em todos os portos), informando que, durante a noite, o vapor havia se soltado e afundado no meio do rio, sendo necessária a ida de mergulhadores experientes para resgatar o caixote do ouro. Chegando lá, meu pai assistiu ao Comandante explicar onde se achava o caixão que os mergulhadores deveriam rebentar, para salvar o caixote do ouro e também viu, consternado, o retorno deles, informando que o caixão já estava rebentado e caixote… me livre, necas de pitibiribas! Meu pai lembrou-se do prático: cadê o homem? ninguém sabe, ninguém viu! E os mergulhadores desceram de novo, dessa vez encarregados de procurar outra coisa, que facilmente encontraram: o rombo feito pelo prático no casco do vapor!</p>
<p>Esse foi o único prejuízo, num mercado tão seguro para os padrões daquele tempo, mas onde um homem, que não era da nossa região, na ânsia de apoderar-se de vários quilos de ouro, foi capaz de violar os códigos de honra… Meu pai dobrou as precauções na hora da embalagem da mercadoria e nenhum outro problema ocorreu até esgotarem-se os garimpos de Goiás, extinguir-se a navegação, a própria empresa… Mas você ainda pode ver, usado pelas barreirenses, um lindo peixe de ouro ou um típico crucifixo de Goiás, comprados por seus pais ou avós…</p>
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		<title>Por: Izo</title>
		<link>http://www.historiadebarreiras.com/personagens-barreirenses/ciclo-do-ouro-ii/comment-page-1/#comment-530</link>
		<dc:creator>Izo</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 18:07:25 +0000</pubDate>
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		<description>Se Barreras - BA, tem história perene, devemos essa brilhante senhora Ignez!!!!</description>
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		<title>Por: Ana Barros</title>
		<link>http://www.historiadebarreiras.com/personagens-barreirenses/ciclo-do-ouro-ii/comment-page-1/#comment-356</link>
		<dc:creator>Ana Barros</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 01:51:54 +0000</pubDate>
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		<description>Lembro-me de um peixe de ouro que a minha vó sempre usava. Eu não sabia que Cornélio Araújo também saiu em busca do tão procurado metal. Surpresa!
Parabéns Ignez! pelo belo trabalho, Barreiras fica lhe devendo mais essa.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Lembro-me de um peixe de ouro que a minha vó sempre usava. Eu não sabia que Cornélio Araújo também saiu em busca do tão procurado metal. Surpresa!<br />
Parabéns Ignez! pelo belo trabalho, Barreiras fica lhe devendo mais essa.</p>
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