25 de Agosto – Dia do Soldado

O ser humano tem, dentro de si, a ânsia pela perfeição total e, assim, vê como mitos de retidão, capacidade administrativa e de tomar sempre a atitude mais correta, os membros de todas aquelas instituições que, para ele, são símbolos de fé e confiança, para a Pátria, verdadeiros alicerces da sociedade e para o indivíduo.

Mas não: sempre existirá a imperfeição humana individual, a capacidade de errar, as vezes até querendo acertar, ou o despreparo para desenvolver uma determinada missão, para a qual não se foi treinado. Explico-me: quando organizei o Museu Histórico de Barreiras, em 1997, o então Secretário de Finanças – não o de Educação e Cultura, claro – o Dr. Abbenhuser, era um entusiasta da obra e, através de sua Secretaria, adquiriu e doou ao Museu peças de valor inestimável, como uma grande âncora de navio a vapor, que um jovem resgatou do fundo do rio. Também comprou obras de um artista plástico que pintava pedras com tinta dourada, criando reflexos para que parecessem pepitas de ouro. E não deu outra: a marginália barreirense se ouriçou, chegava lá perguntando pelas pepitas de dois quilos… E a gente, trabalhando ali, tremia de medo, sem nenhuma proteção. Isso foi logo quando as primeiras mulheres foram admitidas como soldados da Polícia Militar. Mas veja a coincidência, aliás, sincronicidade, pois Jung afirma que não há coincidência: Vinham duas jovens soldadinhas, graciosas em seus uniformes militares, descendo a rua Barão de Cotegipe, quando avistaram quatro tipos suspeitíssimos entrando no Museu e entraram junto, caladas, postaram-se aos lados dos ditos cujos, exalando autoridade. Não eram mais as quase meninas, que eu havia achado bonitinhas, mas militares treinadas para proteger a sociedade.

– Quero ver as jóias, disse o que parecia ser o chefe. E eu, tremendo como vara verde: – Senhor, aqui não existem jóias. E o homem deu um passo para cima de mim, as militares deram dois em direção a eles, continuando caladas. Claro, ali era um lugar público, onde, em tese qualquer cidadão poderia entrar. E os nossos “cidadãos” resolveram que iam vencer pelo cansaço e foram espicular onde estavam as pepitas (já estavam guardadas, claro, que ninguém é doido de manter, sem proteção, algo que pareça ouro).Explicamos, respondemos às perguntas mais estapafúrdias sobre o acervo, o tempo vai passando, os homens esbanjando todas as formas de pressão e as nossas soldadinhas esbanjando autoridade, contenção, domínio de si e da inusitada situação. No fim, elas ganharam a queda de braço, os homens saíram, elas permaneceram à porta do Museu, até vê-los bem longe. Agradeci pela defesa prestrada, pedi-lhes que assinassem o livro de visitantes e lhes garanti que telefonaria para o 10º BPM, a fim de comunicar a sua excelente atuação. Pequei o telefone.

E aí veio o drama: – Senhora quer dar queixa delas? Pergunta quem atendeu, diante da história resumida do acontecimento.. – Não, quero fazer um elogio. – Não, senhora, elogio não pode, só pode denúncia. – Mas eu quero agradecer. – Não pode, aqui só pode denunciar. – Então eu quero falar com quem de direito. – Quem de direito sou eu. – Não é não, quero falar com seu superior. Aqui só pode falar comigo… e por aí foi o soldadinho, que devia ser também um quase menino, mas não estava nada gracioso na sua prepotência e incapacidade de adaptar-se a uma situação diferente. Venceu-me pelo cansaço. Quem dos três representa a PM baiana?

Algum tempo depois de o 4º BEC instalar-se em Barreiras, na década de 1970, um ex-soldado procurou meu pai, Edgard Pitta, deseperado, porque tinha sido expulso e não conseguia arranjar emprego. Foi sincero: -Eu trabalhava na parte de armazenagem de explosivos e um tenente (devia ser jovem, para ser tão desmiolado), ordenou-me pegar escondido e dar a ele um boa quantidade de pólvora, para fazer bombas e matar peixes no Rio Branco. Fui descoberto, expulso, estou com os documentos sujos, me dê um emprego, pelo amor de Deus, pois minha família está passando fome. Meu pai contratou-o como motorista e comunicou o caso a minha mãe e a mim, explicando que o jovem, diante de um erro dessa proporção, é normal que seja expulso do Exército, mas está arrependido e deve ser amparado pela sociedade. Nossa família conviveu com ele por muito tempo e aprendeu que a tolerância com os erros humanos pode ser a semente para o resgate desses erros. .

Estou escrevendo isso tudo em função do Dia do Soldado, diante do erro cometido por alguns militares do Exército no Rio de Janeiro, que estavam deslocados de sua função de defensores da Pátria, para defensores de uma obra eleitoreira. Eles erraram? Sim, tanto quanto o que abusou do poder, não me permitindo falar com seu superior, quando eu quis agradecer pela defesa prestada pelas militares da PM. Como o que desviou a pólvora, para o crime ambiental de matar peixes com explosivos, embora agindo no cumprimento de ordem de um superior. E o estranhamento da sociedade é justamente por não decifrar o mito da perfeição total que a embala. Erros individuais sempre vão existir, o Exército, a PM, enfim, o Brasil são grandes e infinitamente maiores que as simples pessoas que que os integram e teremos que aprender a diferenciar a parte do todo e o todo é esse Exército aguerrido contra os inimigos da Pátria e construtor do progresso de seu povo. Viva o Dia do Soldado! E vivam as duas militares da PM que podem ter salvado minha vida, e todos os militares que cumprem seu dever!

4 ideias sobre “25 de Agosto – Dia do Soldado

  1. O EXRCITO DE BARREIRAS É BONITO QUERIA MANDAR UM ABRAÇO PARA PABLO MURILO ELE É MUITO DEDICADO NO SEU TRABALHO.CASO NÃO SE ESTEJA LEMBRANDO DE MIM SOU MELISSA MORO EM CANDIDO SALES.BJS MEL

  2. Melissa Santos
    De fato, o Exército em Barreiras – 4º BEC – tem instalações muito bonitas, de uma arquitetura perfeita, que embeleza a entrada de nossa cidade, na direção de Brasília. Mais bonito ainda é seu trabalho, primeiro ao construir as estradas, o que começou há 32 anos atrás, ligando Barreiras, por asfalto, a Brasília e a Salvador, ao concluir as BRs 242 e 020. Sem essas estradas, todo o potencial agrícola do nosso cerrado não poderia se desenvolver, pois não haveria como chegarem aqui os grandes tratores, e outras máquinas, necessárias à agricultura nos gerais. Desse modo, o 4º Bec é a instituição que abriu para nossa região a possibilidade de progresso e sua permanência entre nós, além do valiosíssimo trabalho do serviço militer para os jovens, que abre possibilidades semelhantes à de uma multifuncional escola profissionalizante (além, é claro, de prepará-los para a defesa da pátria), possibilita a construção de seguidas obras, tanto em outros lugares, como aqui mesmo, sendo que seu empenho agora é o trabalho no anel viário, que tirará do centro de Barreiras a BR 242, fazendo-a circundar a cidade, ligando-a à BR 020. É uma grande obra e de extrema importância, porque a passagem dos caminhões e carretas pelo centro ocasiona terríveis transtornos e principalmente acidentes, muitos com mortes. O atual Comandante do 4º BEC é um jovem e aguerrido Coronel e é bom vê-lo in loco, no canteiro de obras do anel viário, junto às máquinas e homens em plena ação, dando entrevistas à TV Oeste sobre o andamento do trabalho.
    Feliz Brasil, em que um Comandante de Exército pode dedicar seu empenho e dar entrevistas entusiásticas sobre a construção de obras de engenharia, vitais para o progresso e o bem estar da cidade e dos seres humanos que nela habitam, enquanto em outros países menos pacíficos os soldados, infelizmente, têm que se ocupar com guerras!
    Outro aspecto do 4º BEC é participar do esforço brasileiro de pacificação e reconstrução do Haiti, país tão sofrido da América Central. Conversei já com soldados que lá estiveram e pude notar como se orgulham do trabalho feito nesse país irmão, tão mais sofrido que o nosso. Um soldado me disse que a atuação no Haiti foi o trabalho que mais lhe deu satisfação dentro do 4º BEC, apesar de toda a miséria e sofrimento que presenciou!
    Soldado brasileiro, que aqui constrói o progresso e ainda se orgulha em levar o estandarte da paz a outras pátrias!

  3. e muito interesante essas historias, tem muita coisas boas para se aprender valeu por defender apratia

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