Dr. Geraldo Rocha e a preocupação com o meio-ambiente

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Dr. Geraldo Rocha, já nos anos 50, muito antes de a preocupação com o meio-ambiente tornar-se a questão importante que é hoje, foi quem primeiro chamou à atenção para a devastação acelerada do Rio São Francisco e das suas matas, pelas siderúrgicas, provocando “um deserto que invade o Rio”.

Já alertava ele em seu livro “O RIO SÃO FRANCISCO – Fator precípuo da existência do Brasil“: “Em futuro próximo, as matas devastadas influirão para acentuar a diminuição do regime pluviométrico, secando os mananciais. As margens arenosas, desprotegidas, desmoronam com facilidade, e dentro em pouco, o grande rio da penetração dos pioneiros, será inacessível mesmo às canoas, estendendo-se numa zona desértica da Serra da Canastra ao Atlântico, cujas conseqüências políticas, determinarão o esfacelamento do Brasil. Dominar o São Francisco, é o mais angustiante problema nacional (grifo nosso). O grande rio se vingará… dando causa, talvez, ao nosso desaparecimento como Nação (grifo nosso).

Continuando suas observações, afirmava Geraldo Rocha: “Os transportes no São Francisco tornam-se cada vez mais precários vapores calando 60 centímetros, carregando menos de 60 toneladas, são forçados pelas Capitanias de Portos, a um absurdo rol de equipagem. E como o leito se torna cada vez mais seco, eles levam às vezes um mês para percorrer, em tiragem redonda, os mil e trezentos quilômetros que separam os dois pontos extremos do trecho “soidisan”, ligados ao litoral por estrada de ferroMais cinqüenta anos de abandono, o São Francisco estará reduzido a um deserto, que se estenderá da Serra da Canastra até o Atlântico (grifo nosso).

Lembra Geraldo Rocha, que o engenheiro francês Emmanuel R. Liais, contratado pelo Governo do Império para estudar a Bacia do São Francisco, juntamente com os brasileiros Eduardo José de Morais e Ladislau de Souza Melo Neto, em 1864 estudaram, de início, o rio das Velhas, encontrando excelentes condições de navegabilidade. Hoje, (50 anos atrás) diz Geraldo Rocha, “a leitura desse relatório alarmará o observador que da janela do seu vagão de estrada de ferro, contempla o rio das Velhas em Sabará, quase seco, transponível às vezes, a pé enxuto, por um transeunte que queira se dá ao trabalho de saltar de pedra em pedra” (grifo nosso).

Bacia do Rio São Francisco

Bacia do Rio São Francisco

“Quem percorre atualmente (50 anos atrás) as regiões estudadas por Liais e Henrique Halfeld que estudou o São Francisco das nascentes até Pirapora e o rio das Velhas até Guaicuí,…não escapa de um sentimento de terror (grifo nosso)… “O Saldanha Marinho, a primeira embarcação a vapor que sulcou as águas do São Francisco, foi armado em Sabará, juntamente com o Presidente Dantas… mas, a profundidade do rio diminuía, a cada ano, exigindo baldeações, determinando naufrágios e encalhes, que tornavam periclitantes a vida das empresas”. Todas empresas fracassaram e o transporte rodoviário passou a dominar, na região.

“O São Francisco, porém continuou a se esgotar e os vapores mineiros mal podiam viajar durante seis meses do ano…É um fenômeno alarmante que ninguém pode contestar” (grifo nosso).

Texto original de Jorge Coelho – Engenheiro Agrônomo, Coordenador da ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária – Pernambuco). Fonte: Transposição do Rio São Francisco.

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Seu livro, “O Rio São Francisco: fator precípuo da existência do Brasil“, ainda hoje um clássico, é considerado elemento decisivo para a criação da “Comissão do Vale do São Francisco – CVSF”.

Propôs implantar represas nos afluentes: Paracatu(MG), Corrente e Grande(BA), para formar bacias de compensação e, assim, garantir o volume de água necessário a navegação, irrigação e geração de energia.

Algumas obras previstas por Geraldo Rocha (e posteriormente realizadas): barragem e a eclusa de Sobradinho, hidrelétrica de Paulo Afonso e de Itaparica.

Em depoimento à Comissão da Constituinte de 1946, propôs ao governo um ousado projeto de irrigação na bacia do São Francisco e ofereceu suas terras ao Governo Federal desde que fosse executado o projeto em Barreiras para o assentamento de 5.000 famílias.

O projeto não foi realizado, porém mandou executar a barragem de Ouriçangas para materializar suas propostas de irrigação constantes de seu livro “O Rio São Francisco…”.

Geraldo Rocha foi um dos responsáveis pela criação, em 1948, da Comissão do Vale do São Francisco (CVSF) que, em 1967,  transformou-se em SUVALE – Superintendência do Vale do São Francisco, dando origem, em 1974, à CODEVASF.

Saiba mais sobre a vida e as obras de Dr. Geraldo Rocha em Barreiras:

Comentários

  1. Miriam Hermes disse:

    Oi Ignez,
    Maravilhoso seu trabalho.
    Espero que dê continuidade.
    Nossa história precisa de você´.
    Parabéns
    Miriam

  2. ignez \pitta disse:

    Mirian, um fato novo surgiu na história de Barreiras: você e Eduardo Lena, jovens gaúchos, imigrantes já tão integrados à vida de Barreiras, terem se debruçado durante quatro anos sobre a vida de Geraldo Rocha, em uma pesquisa tão competente, como exitosa! Barreiras, esta terra de imigrantes, espera ansiosamente a publicação do seu livro sobre Geraldo Rocha, o maior dos barreirenses, nascido em Barra!
    Muito sucesso!
    Ignez