mai 10 2009

Origens familiares de Geraldo Rocha

Publicado por Ignez Pitta às 7:57 PM em Personagens Barreirenses

O berço natal da família de Geraldo Rocha é a cidade de Barra BA, onde o nosso rio Grande deságua no São Francisco.

Núcleo urbano mais antigo do Oeste baiano, Barra era a sede do meio-julgado (distrito) que foi instituído em 1700, por força da carta régia datada de 02 de dezembro de 1698, que, assinada pelo rei de Portugal, ordenava fosse fundado um arraial para satisfazer aos pedidos dos povoadores do rio Preto (Santa Rita); rio Grande (Campo Largo, atual Taguá) e rio São Francisco (Barra).

A história registra que os habitantes de Barra vinham fazendo esse pedido insistentemente ao rei de Portugal há vinte anos quando foram atendidos, pois não existia na região qualquer instituição que representasse o governo português e os habitantes necessitavam de dar legitimidade aos seus atos. Dessa forma, foram institucionalizados os arraiais de Santa Rita, Campo Largo e Barra e toda a região transformada em distrito de Cabrobó, Pernambuco, com a sede em Barra, onde foram sendo instituídos todos os cargos que representavam o governo português.

Desse modo, Barra foi uma espécie de capital regional do médio São Francisco e, por estar na foz do rio Grande, tinha um comércio intensivo, abrangendo até todo o norte de Goiás, que não possuía meios de transporte para sua própria capital.

Grandes homens e títulos de nobreza surgiram em Barra, como o Barão de Cotegipe, que foi ministro de D. Pedro II por várias vezes e era pessoa da maior confiança do Imperador, assim como o Barão da Vila da Barra.

Foi nesse berço de nobres que surgiu a família de Geraldo Rocha: seu pai, Antônio Geraldo Rocha e seu tio, Francisco Rocha, eram operários que, por sua capacidade de trabalho, por volta de 1879, despertaram a atenção da já viúva Baronesa da Vila da Barra e do seu primo, Antônio Irineu da Franca, assim como do Coronel Francisco Mariani, chefe político de Barra, primo do Barão de Cotegipe. Assim sendo, propiciaram o casamento de Maria Francisca da Franca, filha de Antônio Irineu, e portanto, prima em segundo grau da nobre baronesa, com Francisco Rocha e de Cantionilia Mariani, filha de Francisco Mariani e sobrinha do Barão de Cotegipe, com Antônio Geraldo Rocha. Assim reza a tradição oral barreirense, bem como a biografia “Legados da História – Geraldo Rocha, o mito”, da autoria de Napoleão Austregésilo Dias de Macedo.

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O Coronel Francisco Rocha, tio de Geraldo Rocha, conhecido em Barreiras como Coronel Chiquinho, casado em primeiras núpcias com Maria Francisca Franca, prima segunda da Baronesa da Vila da Barra.

Com o apoio dos nobres sogros, os jovens Francisco e Antônio Geraldo Rocha adquiriram uma barca – melhor investimento que havia na época, em nossa região – e passaram a viajar, levando mercadorias industrializados de Barra para Barreiras e daqui conduzindo todo tipo de produto agropecuário.

Francisco Rocha e Maria Francisca tiveram apenas um filho, também chamado Francisco Rocha, que se formou em Medicina, depois ingressou na política em Barreiras, foi Prefeito e Deputado. Após a morte de Maria Francisca, Francisco Rocha casou-se com D. Hilda e teve os filhos: Antônio Geraldo, Francisca e Eudóxia, que ainda vivem em Brasília.

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Em audiência com o Presiente Eurico Dutra, à frente o Dr. Francisco Rocha Filho e Antônio Vieira de Melo.

Antônio Geraldo Rocha e Cantionília foram pais de Geraldo Rocha, Cantionília e Custódia Rocha.
O tio, Antônio Irineu da Franca era professor em Barra e foi o primeiro mestre dos sobrinhos, até que Francisco e Antônio Geraldo decidiram mudar-se para Barreiras, onde construíram um belíssimo sobrado em que as duas famílias moravam juntas, pois Cantionília, esposa de Antônio Geraldo, havia falecido ainda em Barra. Vizinho ao sobrado, por sorte ainda permanece apenas a decoração superior da parede da loja que os dois irmãos abriram em Barreiras, no ramo de armarinho, com o nome “Rocha & Irmão”.

Com a resposta exitosa do comércio, compraram muitas propriedades rurais, nos municípios de Barreiras, Angical e Cotegipe.e ainda viajavam com tropas a Goiás, a fim de comprar boiadas, que, após serem engordadas aqui, eram conduzidas à Chapada Diamantina, onde corria o dinheiro proveniente das minas de ouro e diamantes, mas o solo não era muito procpício à pecuária. Em 1915 entraram na política e tomaram a hegemonia até então exercida pelo Coronel Pedro José Rodrigues Piauí.

Mas qual foi a ação mais importante, em suas consequências para a posteridade, dos dois irmãos operários que se casaram com as moças da mais nobre estirpe de Barra e depois imigraram para Barreiras, que ajudaram a fundar? Inegavelmente foi o envio dos filhos, Francisco e Geraldo Rocha, para que estudassem em Salvador, dando-lhes assim as ferramentas para se tornarem os homens que foram. E dando a Barreiras as obras de Geraldo Rocha, desde a segunda década de 1900.

E os dois irmãos Rocha, qual sua origem? Contou-me o Sr. José Silva que eram descendentes dos judeus que vieram para Pernambuco e, a fim de disfarçar a origem, perseguida pela Inquisição, mudaram os sobrenomes para substantivos tirados da natureza, como Ribeiro, Rocha, Pereira etc.

O certo é que Antônio Geraldo Rocha, pobre mas extremamente trabalhador, casou-se com a sobrinha do Barão de Cotegipe e seu filho Geraldo Rocha sonhou e lutou para fazer do vale do rio São Francisco e de Barreiras o celeiro do Brasil.

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Luís Antônio da Franca, primeiro coletor federal de Barreiras, era irmão de Maria Francisca, filho do primo da Baronesa da Vila da Barra, Antônio Irineu da Franca. Na foto está com as filhas: Laura Franca, Lusitônia, conhecida como Lusa, e que era casada com o capitão Nilson Negrão, tendo os filhos: Nádia, Nodge, Niedja. No colo, a filha caçula, Lourdes, que se casou com o Sr. José Areas, radiotelegrafista da Panair, no aeroporto de Barreiras. Tiveram os filhos: Selma, Sônia, Antônio, Sueli, Liana, Vânia.

Saiba mais sobre a vida e as obras de Dr. Geraldo Rocha em Barreiras:

5 comentários

5 comentários to “Origens familiares de Geraldo Rocha”

  1. Victor Garciaon 16 mai 2009 at 1:09 AM

    Cara Ignez, tudo bem?

    Sou pesquisador da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná, e coincidentemente estamos realizando um estudo sobre Geraldo Rocha por aqui.
    Gostaria muito de conversar contigo, pois estamos em estágio de coleta de fontes documentais e suas informações seriam de extrema valia.

    Meu e-mail é miranda.victorg@gmail.com

    Aguardo contato.

    Victor GM.

  2. BOSCO FERNANDESon 19 out 2009 at 4:20 PM

    VISITEM O BLOG COM FOTOS E TEXTOS SOBRE TAGUÁ (EX – CAMPO LARGO)

    O ENDEREÇO DO BLOG É taguacampolargo.blogspot.com

    Paz!! BOSCO FERNANDES

  3. avilaon 19 ago 2010 at 11:41 AM

    barreiras e lnda d+ so precisa ser melhor cuidada

  4. wilson carvalhoon 21 jul 2011 at 5:49 PM

    olá
    gostei muito do material, só queria fazer uma pequena correçao. em relação aos arraiais de campo largo, Barra e Pilao Arcado. nao foram transformados em distritos de cabrobó. Eles respondiam diretamente a capinania de pernambuco; cabrobó tinha uma ordem de missionarios que abrangia até nossa regiao. mas politico e administrativamente nada havia, ate porque cabrobó só tornou-se distrito em 14-11-1786 e emancipou-se politicamente no ano de 08-11-1854.

  5. wilson carvalhoon 21 jul 2011 at 5:57 PM

    continuando…

    Barra emancipou-se em 1753, Campo Largo em 1820 e santa rita em 1840

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