Quem foi o homem Geraldo Rocha?

Quem foi o homem Geraldo Rocha? Alguém que conviveu com Presidentes da República, recebeu medalhas e condecorações de outros países, por relevantes serviços prestados, que podemos conhecer no Museu Municipal de Barreiras, generosamente doadas por D. Zezete Laurille de Carvalho, viiúva de seu sobrinho Orlando…

Alguém que construiu uma magnífica mansão, onde morava, no Rio de Janeiro, e outra aqui em Barreiras, na sua fazenda Água Doce… Jornalista, que foi, inclusive, sócio de Roberto Marinho, fundador da Rede Globo. Sim, ele foi tudo isso, mas dito assim, parece que falta a essência, falta a alma. Ele foi um homem a quem a vida brindou com tão grandes qualidades, mas, ao mesmo tempo, negou a capacidade biológica de ter filhos.

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Dr. Geraldo Rocha e sua esposa, a francesa Madame Jane

Ele se casou duas vezes, ficando a maior parte de sua vida com a linda francesa, Madame Jane, de quem muita gente em Barreiras ainda se recorda, mas não teve a felicidade de ter em seus braços um filho seu. O que ele sentia sobre isso? Não há registros, se houve confidências, não foram divulgadas mas podemos imaginar sua capacidade de amar pela intensidade com que amou e se dedicou a seus sobrinhos, como Orlando Rocha de Carvalho, por exemplo, a quem enviou, na década de 1920, para estudar na Universidade de Cornell, em Nova Yorque, Estados Unidos.

E podemos conhecer o que o jovem Orlando vivenciou lá, pois ele comprava os anuários da Universidade, preciosos livros em papel couchê, ilustrados, que mostram uma infinidade de fotos, não só dos edifícios, mas de todas as atividades da famosa Universidade americana. Esses livros nos foram doados por sua esposa, D. Zezete, que deseja sejam eles conhecidos por nós, barreirenses. 

O inglês que falava correntemente, Dr. Orlando lecionou durante anos no Colégio Padre Vieira, e sempre fazendo questão de não receber salário. Mas foi Paulo Roberto Laurille de Carvalho, filho de Dr. Orlando e D. Zezete, quem mais recebeu o amor de pai que inundava a alma de Geraldo Rocha.

Uma das fotos que se encontra já publicada aqui no site (acima), tem uma dedicatória para Paulo Roberto, a quem chamava de neto. O primeiro número de um de seus jornais também tem uma carinhosa dedicatória do “vovôzinho”, como se intitulava para Paulo Roberto. Esse exemplar dedicado pelo “vovozinho” está aqui em nossa mão, na verdade pertence hoje ao Genivaldo, dono do Bar Trapiche, e é como uma radiografia dos sentimentos do grande empreendedor, do eficiente engenheiro, do amigo de Presidentes da República… Ele também criou uma menina, a quem, segundo dizem, registrou com o nome de Helena Geraldo Rocha.
E ainda há um fato que mostra seu lado humano e compassivo: estando em Barreiras, no início da década de 1940, quando não existia um único hospital aqui no Oeste, soube que uma mulher morreu de parto e que só uma operação cesariana poderia salvá-la e ao bebê. Imediatamente disse: vou construir aqui um hospital, para que nenhuma outra mulher morra de parto, por falta de uma cirurgia! E cumpriu sua promessa, construindo o Hospital Eurico Dutra, que até há pouco tempo era o único da nossa região, pois só há pouco tempo o Estado da Bahia construiu o Hospital do Oeste. Mesmo assim, o Eurico Dutra continuará funcionando, para os casos menos complexos, ficando os de alta complexidade para o HO. E esse hospital que ele construiu tinha uma capela, uma linda igrjinha para onde trasladou os restos mortais de seu pai – que jazia aqui em Barreiras, no cemitério São Joã Batista, e os de sua mãe, que mandou exumar em Barra.

Nesse ato, vemos sua profunda devoção filial e desejo de venerar seus pais, cujo túmulo permanece lá no hospital, embora o local onde está hoje já não seja mais uma capela. Não seria o caso de trasladar esse túmulo para a nova capela que foi feita no Eurico Dutra? Será que Barreiras não deve isso ao homem que construiu e lhe doou esse grande hospital? E que desejava ficassem os restos mortais de seus pais em uma capela, lugar de oração?

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Dr. Geraldo Rocha e o ex-Presidente da Argentina, Juan Domingo Perón, de quem era amigo pessoal

Quando seu sobrinho Antônio Balbino de Carvalho Filho foi Governador da Bahia, na década de 1950 e construiu aqui em Barreiras o magnífico Colégio Antônio Geraldo, comunicou-lhe que iria dar seu nome ao educandário, Geraldo Rocha respondeu-lhe: -”Aceito a honraria, mas não para mim, aceito-a para meu pai, Antônio Geraldo, que, sendo um sertanejo, enviou-me para estudar em Salvador e me tornar o que sou.”
Em rápidas pinceladas, que são bem conhecidas dos barreirenses mais velhos, um pouco da alma, dos sentimentos de Geraldo Rocha.

Ele cometeu erros? Muitos, também conhecidos dos barreirenses… Tinha defeitos? Claro, se não tivesse não seria humano: era muito impetuoso, voluntarioso e não gostava de ser contrariado.  Sofreu? Sim, terríveis sofrimentos, perseguições políticas que o fizeram até exilar-se na Europa… Exílio que aproveitou para conhecer países e rios famosos pelos projetos de irrigação. Sonhou? Sim, foi um sonhador…Essa foi a sua maior característica e seus sonhos para Barreiras foram o maior privilégio de nossa terra.

Saiba mais sobre a vida e as obras de Dr. Geraldo Rocha em Barreiras:

Comentários

  1. Navegando na Internet procurando informações relativamente ao grande cavalheiro, jornalista e empreendedor Geraldo Rocha, que foi dono do jornal “À Noite” com sede no Rio de Janeiro, deparei-me com ese site.
    Sou neto de um de seus maiores amigos, empreendedor e atirado como ele. Estou me referindo a Paulo Venancio da Rocha Vianna, que fundou a primeira empresa de aviação comercial genuinamente brasileira, a “NAVEGAÇÃO AÉREA BRASILEIRA” ou “NAB” no ano de 1938.
    Meu avô residia na rua Santa Alexandrina nº 92 e o Dr Geraldo Rocha no seu belissimo palacete na rua Paula Ramos, que era uma continuação da rua nterior, já subindo os contrafortes do morro do Corcovado.
    Nessa época o bairro do Rio Cumprido ainda respirava ares do regime monarquico e do inicio da republica, pois ficara conhecido no Rio de Janeiro do segundo reinado como o bairro dos barões. Ali residiram o barão de Petropolis, barão de Sertorio, barão de Itapagipe e barão da Estrela. A referencia aos ilustres titulares do imperio ficou eternizada na nomenclatura das ruas do velho bairro onde nasci no ano de 1951.
    A casa de meus avós, onde morei até os cinco anos de idade, ficava ao lado do casarão, outrora residencia do presidente Floriano Peixoto. Lembro-me bem do bonde Santa Alexandrina, do nosso frondoso tamarineiro e outras frutiferas, como era comum nas grandes residencias, as denominadas chacaras do Rio antigo. Me recordo com saudades das grandes residencias da vizinhança, como a defronte a nossa, que pertencia a D. Julieta Meanda. Seus filhos eram como irmãos de minha mãe e meus tios; eu os tratava por tios.
    Na minha infancia ainda existia o bloco das ‘Pastorinhas” de Ataulfo Alves, que desciam a Rua Paula Ramos, passando pela rua Stª Alexandrina, dirigindo-se para o desfile do carnaval na praça Onze! Lembro da triste historia de Tita, uma irmã do ilustre compositor que fora cozinheira em casa de minha avó paterna e que faleceu de cancer.
    Dez anos depois, em 1961, a familia voltou a residir na av. Paulo de Frontin, nº 638, cuja residencia tambem não mais existe. Coincidentemente o nome da avenida homenageia o famoso engenheiro e urbanista que fora casado com uma prima próxima de minha avó materna.
    Voltando da nostalgia do passado, desejaria aqui registrar uma das muitas qualidades do grande homem que foi Geraldo Rocha, sua grande dignidade.
    No ano de 1948, quando a NAB sofreu problemas financeiros e meu avô foi muito atacado na camara dos deputados por politicos inescrupulosos e oportunistas, o jornalista Geraldo Rocha, foi um raro exemplo de coragem e determinação. Defendeu em seus editoriais a manutenção da companhia sob a direção do amigo que bem conhecia. Sabia de seus incansaveis esforços materiais para a compra das ações que os maus sócios vendiam inescrupulosamente. Como detendor do controle acionário da NAB e seu presidente, Paulo Venancio da Rocha Vianna acabou por arcar com imensos prejuizos financeiros, mas sempre teve em Geraldo Rocha um aliado digno e corajoso. Foi um exemplo raro de um homem que sabia das reais causas da situação da companhia, que ele tão bem retaratava em seus esclarecedores editoriais.
    Quando adolescente, muitas vezes adimirei o magnifico palacete do grande jornalista e amigo. Seu abandono e decadencia eram dolorosos, assim como, a propria transforamação do bairro.
    No crepusculo da década de sessenta, fomos residir no bairro de stª Teresa, onde ainda havia aquela atmosfera do Rio de outrora. Havia ainda o bonde, as ruas calçadas de paralelepipedos, o ar mais fresco, assim como, a proximidade com a cidade. Afinal, meu pai nascera ali e trabalhava na diretoria da Petrobras, bem proximo aos Arcos da Lapa, desse modo, uma descisão nostalgica e estratégica.
    Recentemente revendo fotografias em casa de minha mãe em Petropolis, uma em especial chamou minha atençao de imediato.Tratava-se de uma fotografia grande, com um grupo seleto de pessoas muito elegantes que pousara para a confecção da mesma. Já conhecia aquela foto na infancia atraves de minha mãe, onde aparecem meus avós, que formavam um par magnífico entre os amigos mais proximos do jornalista Geraldo Rocha, que tambem aparece na mesma, em uma noite de festa sobria e elegante…

    Sudações,

    Pedro Vianna Born.

  2. Que bela página da história brasileira, Sr. Pedro Vianna Born, acaba de ser escrita, revivendo não só Geraldo Rocha, mas outros personagens notáveis!
    Eu nada sabia sobre a primeira companhia aérea brasileira, datada de 1938, embora em minha terra tenha sido iniciada a construção do aeroporto em 1937, para servir de ponto de apoio em abastecimento de combustível, aos voos internacionais, Miami/Rio de Janeiro/Buenos Aires. Conheci as outras companhias aéreas que passavam por aqui, tendo Barreiras como ponto de apoio para abastecimento de combustível e também almoço: Panair, Real, Aerovias, Macional, Cruzeiro do Sul…
    Já vi fotos da bela mansão de Dr. Geraldo Rocha, aí no Rio de Janeiro. Aqui ele construiu também uma belíssima casa, em sua Fazenda Água Doce e existe a história de que seus amigos, Peron e Evita Peron teriam vindo descansar aqui, como seus hóspedes, tendo entrado no Brasil incógnitos… Há depoimentos de muitas pessoas, como de Antônio Balbino de Carvalho, e até do motorista de Dr. Geraldo, que o levou para receber os dois, no aeroporto, mas discretamente, na pista, antes do pavilhão de embarque e que também os conduziu até o mesmo lugar, na hora do regresso. Essa mansão está conservada, com seus móveis franceses, pelos sobrinhos de Geraldo Rocha, netos do ex-governador da Bahia, Antônio Balbino de Carvalho.
    Dr. Geraldo foi para nós o grande artífice do progresso. Infelizmente não teve filhos e desse modo vários de seus maiores empreendimentos aqui já não existem (a não ser as grandiosas ruínas).
    Devido a seu afinco, os Presidentes da República que para aqui conseguia trazer e eram seus hóspedes na Faz. Água Doce, viam as notáveis realizações por ele feitas, que atestavam o potencial do Nordeste, que ele afirmava poder transformar-se em celeiro de alimentos, se fosse feita aqui a irrigação com água do rio São Francisco, pelo governo federal. Desse modo surgiu a Superintendência do Vale do São Francisco, SUVALE (atualmente CODEVASF), que vem há muitas décadas investindo na irrigação. Veja a produção de frutas de Juazeiro e Petrolina! E a produção de muitos outros lugares do nordeste, inclusive minha região. Ele anteviu tudo isso!
    O senhor possui todos os livros de Geraldo Rocha? Dispomos de muito poucos.
    Realmente, foi um enriquecimento para o site o seu depoimento sobre Geraldo Rocha.
    Agradeço-lhe.
    Ignez Pitta (Sou da família Vianna da Bahia, minha mãe era Judith Vianna Nunes)

  3. Srª Inez,

    Não me recordo de ter alguma vez me deparado com alguma obra literaria do ilustre Dr. Geraldo Rocha apesar de ainda possuirmos alguns livros de outros amigos notaves de meu avô com belissimas dedicatorias.
    Quanto a coincidencia do nosso sobrenome comum devo dizer que no meu caso, o “VIANNA” é oriundo de Vianna do Castelo (PT). Dessa historica cidade costeira da ragião do Minho era oriundo meu trisavô materno Francisco Pedro Venancio da Rocha Vianna. Dali ele saiu para estudar na Universidade de Coimbra onde acabou efetivado depois como professor da cadeira de Latin. Por ter sido profundo estudioso de musica, ele acabou por se tornar tambem organista da capela daquela famosa universidade.
    Um de seus varios filhos com Maria de Oliveira Leite, foi Rodrigo Venancio da Rocha Vianna, que veio pro Brasil, com apenas 14 anos de idade. Aqui Rodrigo Vianna se tornaria um dos maiores industriais e comerciante do segundo reinado e inicio da republica. Especializada em artigos de couros e oleados, sua “Industria Bonfim” (localizada na ponta do Cajú no bairro de São Cristovão) era expoente, tendo ali sido por diversas vezes visitado por D. Pedro II, seu particular amigo.
    Ficou conhecido como comendador Rodrigo Vianna, agraciado com a comenda da “Ordem da Rosa” ofertada pelo imperador, assim como, a do real governo de Portugal por relevantes contribuições a cidade de Guiamarães. Humildemente declinou das duas ofertas argumentando que a maior honraria ele já possuia, a confiança e amizade dos dois monarcas.
    As citações aqui registradas, tem como fonte primaria o numero especial do suplemento “13 DE MAIO”, editado no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1915, dedicado aos grandes beneméritos da “Confederação Abolicionista”.
    Tambem grande comerciante sob a firma “Rodrigo Vianna, comercio de importação e exportação”, o pai de meu avô nascido na cidade de Guimarães (PT) tinha sociedade com um compadre britanico armador de Cambridge na Inglaterra.
    Deixo aqui esse registro para eventual estudo genealógico futuro que desejar.

    Att,

    Pero Vianna Born.

  4. Sr. Pedro Vianna Born
    Os maiores expoentes da família Vianna da Bahia foram o Governador Luís Vianna e depois seu filho, Luís Vianna Filho, também Governador baiano.
    Att.
    Ignez Pitta