Um dos tesouros ocultos de Barreiras são as imagens de Senhora Santana, Nossa Senhora da Conceição e São José, resgatadas da Igreja de São José, no antigo povoado Água Doce, quando foi demolida, em parte, pelo Dr. Geraldo Rocha, a fim de ser transformada em garagem, quando comprou as casas dessa povoação, que ficava situada entre o Arraial da Penha e Barreiras.
Essa Igreja era muito venerada, bem mais antiga do que Barreiras e, quando lá se celebrava a missa do Padroeiro, os habitantes de nossa terra iam festivamente até a Água Doce, para participar das celebrações. Hospedavam-se nas casas dos moradores e, além da missa, participavam igualmente das festas nas casas, feitas em homenagem ao Santo Padroeiro.
Infelizmente, na década de 1930, dizer-se ateu era moda, era ser moderno e o nosso Dr. Geraldo Rocha cometeu esse erro sem tamanho, ao demolir essa Igreja de São José e ainda outra, num povoado próximo, que também comprou, dedicada a Nossa Senhora da Alegria. Até hoje alguns idosos de Barreiras ainda cantam o hino de Nossa Senhora da Alegria, e, na Semana Santa, fazem “Lamentação das Almas”, do lado de fora do arame farpado, frente à ruína da Igreja, atrás da qual ainda se pode ver um antiquíssimo cemitério.
Muitos anos depois, ao construir um hospital para doar a Barreiras, Dr. Geraldo incluiu uma linda igreja com torre, bem no meio do edifício. Ele dizia que o hospital deveria ser dirigido por freiras, pois quem cuidava de doentes pelo amor de Deus, o fazia com mais dedicação. Paradoxos de um grande homem? Ou a fé em Deus lhe chegou então?
A Igreja por ele construída no hospital, por razão de espaço, na década de 1970 foi retirada do centro do edifício, construindo-se em frente, de um lado, mas a torre com a cruz ficará sempre no seu lugar, abraçando e abençoando quem chega.

Foto contemporânea da fachada do Hospital Eurico Dutra, destacando-se a torre sobre a igreja, que se abria para acolher quem entrasse, com portas no lugar das janelas atuais.
Para essa igreja Dr. Geraldo Rocha fez trasladar as urnas com os restos mortais de seus pais, marcando o lugar com uma pedra mármore contendo seus nomes, ainda existente, mesmo depois de haver sido demolido o altar e o espaço da igreja convertido em secretaria, durante a década de 1970.
Para quem se proclamava ateu e demoliu duas igrejas antigas e veneradas pela população, incluir uma igreja no prédio que construiu para o hospital de Barreiras e para ali trasladar os restos mortais paternos é, no mínimo, uma atitude de quem deseja, para os pais mortos, um ambiente sagrado, espititual.




belissimas peças , adorei
Gildimar,
São realmente lindas, com muitos detalhes:imagine que a imagem de Sant´Ana está sentada em uma cadeirinha, que só por detrás se vê. E a decoração policromada e em ouro!