mai 07 2008
A Voz do Rio

Durval Nunes
Há milênios desço, cheio de lembranças
Das vertentes mansas lá dos meus gerais
Deita o junco ereto numa reverência
Batem continência os buritizais
Antas, capivaras banham-se em meu leito,
Mergulha seu peito o Martim-pescador.
Espertos peixinhos sobem na desova,
Passo-preto trova do pau d’arco em flor!
Nesta caminhada longa pr`o oceano
Levo desengano, deixo vida e cor.
Por este cerrado – flora colorida,
Sou templo – hermida de paz e amor.
Poço bom de pesca trago na surdina
Água cristalina, boa de beber.
Ao soprar da brisa minhas ondas cantam;
Mil sóis se alevantam para me aquecer.
Mas, enquanto a natureza está sorrindo,
E o progresso consumindo o meu sertão,
Homo sapiens mata os marimbus,
Emas e tatus fogem em procissão
Num quase velório lágrimas derramo.
Ao meu Deus eu clamo neste entardecer:
Basta de efluentes, tenham paciência
Eu peço clemência: Deixem–me viver!
Parabens Inês pela sensibilidade de expor aqui a belíssima poesia de Durval, nosso orgânico entelectual das palavras que vêm da alma.
Maria Analia