fev 17 2008
Ligação entre Barreiras e Barreirinhas por ajoujo – Década de 1930

Antes da construção da antiga ponte de madeira pelo então prefeito Aníbal Barbosa, no final da década de 1950, Barreiras era ligada a Barreirinhas através de um ajoujo idealizado na década de 1930 por Dr. Geraldo Rocha e executado pelo gerente da Sertaneja à época, Cel. Abílio Wolney.

(Inauguração do ajoujo, 1930)
O termo “ajoujo“, derivado do verbo latino jugum, é uma embarcação híbrida de balsa e canoa, para transporte de carga e pessoas, típica das regiões Nordeste e Centro Oeste, constituída de duas a quatro canoas, tendo por cima um estrado de madeira a elas fortemente amarrado por meio de tiras de couro cru, e presa a uma corda que atravessa o rio de um lado a outro. Alternando-se o comprimento das cordas que prendem o ajoujo à corda central, a travessia é feita impelida pela própria correnteza do rio, como podemos ver na foto acima.
Em outras regiões do país, ajoujo também pode significar:
- cordão com que se prendem animais pelo pescoço;
- um par de animais ligados um ao outro;
- no Rio Grande do Sul, significa tira de couro, de cerca de 80 cm de comprido por 2 de largo, usada para unir dois bois pelos chifres.

O ajoujo ainda é utilizado em nossa região em locais onde não há pontes, utilizando tambores de metal como flutuadores, ao invés de canoas. Na foto abaixo, Luiz Carlos Almeida atravessando o Rio de Ondas na década de 1990, no local onde hoje existe uma.

Clique na imagem abaixo para visualizar em tamanho grande Barreiras na década de 1930, vista do ajoujo.

Maravilhosa a iniciativa do presente trabalho, notadamente, pela riqueza de informações e detalhes, os quais, certamente, resgatará a verdadeira história de Barreiras e servirá de inspiração e pesquisa para as novas gerações.
A primeira ponte de madeira ligando Barreiras a Barreirinhas, foi construída por meu pai, o carpinteiro Neuton Duarte de Oliveira, conhecido com Neton, ele fez também vários serviços para a Prefeitura de Barreiras, incluindo telhados de escolas públicas como Costa Borges, Polivalente e Padre Vieira, para a 4ºBEC, fez várias pontes e currais para a Sertaneja Empresa Agropastoril S/A, temos uma irmã que trabalha na Câmara Municipal de Vereadores de Barreiras que deve saber mais detalhes do passado, o nome dela é Dedé.
Fico olhando essas fotos e vejo o Rio Grande de outrora, tão caudaloso que nem de longe se compara ao de hoje. Rios envelhecem?! Só através dos registros históricos podemos avaliar a trajetória do homem.