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	<title>História de Barreiras &#187; Coluna do Zé Den d&#8217;Água</title>
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	<description>por Ignez Pitta</description>
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		<title>Como éramos felizes e não sabíamos</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 17:35:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coluna Fernando Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Coluna do Zé Den d'Água]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong>Coluna do Fernando Machado</strong></p>
<p align="center">
<p><img class="alignnone" src="http://farm4.static.flickr.com/3235/2289732744_f168b9c82a.jpg" alt="" width="500" height="317" /></p>
<p>Vivi minha infância e adolescência num bairro periférico de Barreiras, rotulado como violento e dominado por gangues, a Vila Brasil. Freqüentei a Escola Estadual Prisco Viana, nesta fiz meu primeiro e único tratamento dentário e adquiri uma centena de amigos. Tive como mestra dentre tantas que me influenciaram imensamente, a Professora Minervina, rígida e de imensa dedicação ao exercício de educar. Também Professora Valda, figura docemente humana, inteiramente entregue à profissão e às causas religiosas, e por fim, meu primeiro amor, Professora Liziane, de olhos inebriantes como as águas da Lagoa Azul de São Desidério.</p>
<p>Gangues em Barreiras não são novidades e nem privilégio do meu bairro. Os “Rebeldes e Subversivos” datam dos anos 70. Pequenos “grupos de malfeitores” compostos de ingênuos delinqüentes juvenis de classe média, como os “Casaco Preto”, turma da “Rua de Baixo”, “Gângsteres” da Coréia (Barreirinhas) e na margem direita do Rio Grande, mediam força, distribuíam popularidade e beleza entre as “cocotas” da época.</p>
<p><span id="more-366"></span>Já no final da década de 80 e inicio de 90, “Jovens Arruaceiros” e recrutas do 4º BEC intitulavam-se “Os Dragões” e “Os Cobras”, enfrentavam-se pelo poder e a fama de “machão” nas festas do Clube Dragão Social, ABCD, no Bar Malte 90, discoteca Senzala, pelas ruas da “Barreira véa” e em tempos de carnaval. Sem mortalhas e atrás do Trio Elétrico de Aguinaldão, embalados pelos Biriba Boys, estes jovens bebiam conhaque, cheiravam Loló (mistura de Clorofórmio e o líquido da goma de mascar Babaloo), dificilmente fumavam maconha e quase nunca dispunham de lança perfume. Nada de mortes, digladiavam-se com violentos chutes e socos, entre soqueiras, cabos de aço, fivelas de cintos, e raramente facões e cutelos.  Mas, Barreiras cresceu, evoluiu e o “tali do pogresso” chegou.</p>
<p>O que falar da criança de onze meses de idade brutalmente assassinada nos braços da mãe, vitima de bala perdida num conflito entre gangues neste mês? Poderia ter sido no Rio de Janeiro, em São Paulo ou em Salvador, mas não, foi bem ali na Cascalheira, aqui em Barreiras no nosso Afeganistão pessoal!</p>
<p>Sim, nós já temos gangues que atiram com revolveres sim, “galeras” que matam crianças, e velhos que choram os jovens que enterram. Esta “briguinha” não é mais por fama, glória ou garotas, nem com vergalho de boi, “currião” ou chicote de laranja. A guerra é por pedra de crack, cocaína, maconha, pela cola que aspiram ou o tinner que inalam. Não são mais resolvidas “no braço”, e sim com trabucos “três oitão”, 9 milímetros, munição a gás e até metralhadoras.</p>
<p>Hoje os “grupelhos” são conhecidas como “Os Goy”, “Galera da Bagaça”, “Tribo de Jah”, “Caixa D´agua”, dentre tantas outras. Estes moleques não são os responsáveis diretos pelo tráfico de drogas e o comércio de armas de fogo, no máximo não passam de “avião” ou “vapor”, meros empregados do crime, e nem consumidores exclusivos da “parada”,  a “Playboyzada”  também se droga até os ossos, garantindo “o movimento”  da  “boca” e o financiamento da barbárie.</p>
<p>Há que saudades tenho do Colégio Padre Vieira, da educação física dos professores Odílio e Jorge Kerton (in memória), do teacher Juarez, e das práticas de horticultura com a serena Célia Rocha no Colégio Antonio Geraldo. Que tempo bom, onde nossas escolas eram capazes de influenciar a mocidade e impedir tais mazelas. Infelizes são os professores, antes chamados de mestres, hoje reles servidores públicos, mal remunerados e obrigados a educar e criar filhos alheios diante da ausência das famílias.</p>
<p>Salvemos estes meninos e meninas que praticam a violência como estilo de vida, que se alimentam na lateral da feira, almoçam farofa de salsicha ou tripa bovina. Nunca existiu nada de glamoroso no cotidiano das periferias ou no interior das gangues, <span style="text-decoration: underline;">Barreiras é um imenso barril de pólvora endividada socialmente, prestes a explodir.</span></p>
<p>Afago amavelmente todas as mães e vitimas da violência, miséria e impunidade. Porque se tudo piorar sumo no mundo, mas antes vou pro gerais, arranco toco, ganho um troco, produzo commodities, ajudo a balança comercial, participo da distribuição de renda, compro uma moto 125 e ripe serei.</p>
<p>Por <strong>Fernando Machado</strong></p>
<p>Pré Alfabetizado</p>
<p>armundrongao@hotmail.com</p>
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