mai 02 2009
Quem foi o homem Geraldo Rocha?
Quem foi o homem Geraldo Rocha? Alguém que conviveu com Presidentes da República, recebeu medalhas e condecorações de outros países, por relevantes serviços prestados, que podemos conhecer no Museu Municipal de Barreiras, generosamente doadas por D. Zezete Laurille de Carvalho, viiúva de seu sobrinho Orlando…
Alguém que construiu uma magnífica mansão, onde morava, no Rio de Janeiro, e outra aqui em Barreiras, na sua fazenda Água Doce… Jornalista, que foi, inclusive, sócio de Roberto Marinho, fundador da Rede Globo. Sim, ele foi tudo isso, mas dito assim, parece que falta a essência, falta a alma. Ele foi um homem a quem a vida brindou com tão grandes qualidades, mas, ao mesmo tempo, negou a capacidade biológica de ter filhos.

Dr. Geraldo Rocha e sua esposa, a francesa Madame Jane
Ele se casou duas vezes, ficando a maior parte de sua vida com a linda francesa, Madame Jane, de quem muita gente em Barreiras ainda se recorda, mas não teve a felicidade de ter em seus braços um filho seu. O que ele sentia sobre isso? Não há registros, se houve confidências, não foram divulgadas mas podemos imaginar sua capacidade de amar pela intensidade com que amou e se dedicou a seus sobrinhos, como Orlando Rocha de Carvalho, por exemplo, a quem enviou, na década de 1920, para estudar na Universidade de Cornell, em Nova Yorque, Estados Unidos.
E podemos conhecer o que o jovem Orlando vivenciou lá, pois ele comprava os anuários da Universidade, preciosos livros em papel couchê, ilustrados, que mostram uma infinidade de fotos, não só dos edifícios, mas de todas as atividades da famosa Universidade americana. Esses livros nos foram doados por sua esposa, D. Zezete, que deseja sejam eles conhecidos por nós, barreirenses.
O inglês que falava correntemente, Dr. Orlando lecionou durante anos no Colégio Padre Vieira, e sempre fazendo questão de não receber salário. Mas foi Paulo Roberto Laurille de Carvalho, filho de Dr. Orlando e D. Zezete, quem mais recebeu o amor de pai que inundava a alma de Geraldo Rocha.

Uma das fotos que se encontra já publicada aqui no site (acima), tem uma dedicatória para Paulo Roberto, a quem chamava de neto. O primeiro número de um de seus jornais também tem uma carinhosa dedicatória do “vovôzinho”, como se intitulava para Paulo Roberto. Esse exemplar dedicado pelo “vovozinho” está aqui em nossa mão, na verdade pertence hoje ao Genivaldo, dono do Bar Trapiche, e é como uma radiografia dos sentimentos do grande empreendedor, do eficiente engenheiro, do amigo de Presidentes da República… Ele também criou uma menina, a quem, segundo dizem, registrou com o nome de Helena Geraldo Rocha.
E ainda há um fato que mostra seu lado humano e compassivo: estando em Barreiras, no início da década de 1940, quando não existia um único hospital aqui no Oeste, soube que uma mulher morreu de parto e que só uma operação cesariana poderia salvá-la e ao bebê. Imediatamente disse: vou construir aqui um hospital, para que nenhuma outra mulher morra de parto, por falta de uma cirurgia! E cumpriu sua promessa, construindo o Hospital Eurico Dutra, que até há pouco tempo era o único da nossa região, pois só há pouco tempo o Estado da Bahia construiu o Hospital do Oeste. Mesmo assim, o Eurico Dutra continuará funcionando, para os casos menos complexos, ficando os de alta complexidade para o HO. E esse hospital que ele construiu tinha uma capela, uma linda igrjinha para onde trasladou os restos mortais de seu pai – que jazia aqui em Barreiras, no cemitério São Joã Batista, e os de sua mãe, que mandou exumar em Barra.
Nesse ato, vemos sua profunda devoção filial e desejo de venerar seus pais, cujo túmulo permanece lá no hospital, embora o local onde está hoje já não seja mais uma capela. Não seria o caso de trasladar esse túmulo para a nova capela que foi feita no Eurico Dutra? Será que Barreiras não deve isso ao homem que construiu e lhe doou esse grande hospital? E que desejava ficassem os restos mortais de seus pais em uma capela, lugar de oração?

Dr. Geraldo Rocha e o ex-Presidente da Argentina, Juan Domingo Perón, de quem era amigo pessoal
Quando seu sobrinho Antônio Balbino de Carvalho Filho foi Governador da Bahia, na década de 1950 e construiu aqui em Barreiras o magnífico Colégio Antônio Geraldo, comunicou-lhe que iria dar seu nome ao educandário, Geraldo Rocha respondeu-lhe: -”Aceito a honraria, mas não para mim, aceito-a para meu pai, Antônio Geraldo, que, sendo um sertanejo, enviou-me para estudar em Salvador e me tornar o que sou.”
Em rápidas pinceladas, que são bem conhecidas dos barreirenses mais velhos, um pouco da alma, dos sentimentos de Geraldo Rocha.
Ele cometeu erros? Muitos, também conhecidos dos barreirenses… Tinha defeitos? Claro, se não tivesse não seria humano: era muito impetuoso, voluntarioso e não gostava de ser contrariado. Sofreu? Sim, terríveis sofrimentos, perseguições políticas que o fizeram até exilar-se na Europa… Exílio que aproveitou para conhecer países e rios famosos pelos projetos de irrigação. Sonhou? Sim, foi um sonhador…Essa foi a sua maior característica e seus sonhos para Barreiras foram o maior privilégio de nossa terra.
Saiba mais sobre a vida e as obras de Dr. Geraldo Rocha em Barreiras:
- Biografia de Dr. Geraldo Rocha
- Veja Fotos de Dr. Geraldo Rocha e suas realizações em Barreiras
- Um episódio da vida de Dr. Geraldo Rocha – Prova de Fogo… ou do cheque
- A Construção da Usina Hidrelétrica: Geraldo Rocha, o homem que brincou de Deus
- Dr. Geraldo Rocha e a preocupação com o meio-ambiente
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